Ultrapassar 1,5°C deve servir de alerta para esforços de controle da crise climática

2 de setembro de 2026 | Nota

set 2, 2026 | Nota

Por Lucas Guaraldo

O planeta deverá superar o limite de aquecimento de 1,5°C estabelecido no Acordo de Paris nos próximos anos, segundo relatório publicado nesta quarta-feira (2) pelo PNUMA (Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente). Para o IPAM (Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia), a constatação representa uma dura derrota para a humanidade, mas deve servir de alerta para limitar, ao máximo, a duração e a intensidade dos efeitos da crise climática, além de reforçar as políticas de controle do desmatamento e das emissões provocadas pela queima de combustíveis fósseis.

“Hoje é um dia triste para a humanidade. Fomos derrotados por nós mesmos. Ultrapassamos, segundo a ONU, o limite de temperatura que a humanidade concordou em evitar quando 195 países assinaram o Acordo de Paris, em 2015. Passamos da barreira de 1,5°C de aumento da temperatura média da Terra em relação ao período pré-industrial. Falhamos em cuidar da nossa casa comum. Mas ainda há tempo para evitar os piores impactos das mudanças climáticas”, adverte André Guimarães, diretor executivo do IPAM e enviado especial da sociedade civil para a COP30.

A meta de limitar o aumento da temperatura média global a 1,5°C em relação aos níveis pré-industriais foi estabelecida no Acordo de Paris, aprovado em 2015. Segundo o relatório do PNUMA, mesmo o cenário mais otimista prevê que o aquecimento global alcance um pico de 1,8°C acima dos níveis pré-industriais, enquanto outros cenários indicam um aumento superior a 2°C, associado a consequências ainda mais severas.

Nesse contexto, a entrega dos Mapas do Caminho para Longe dos Combustíveis Fósseis e para Parar e Reverter o Desmatamento e a Degradação Florestal é essencial para orientar os esforços globais de redução das emissões. A apresentação e a implementação de NDCs mais ambiciosas e condizentes com a urgência do enfrentamento da crise climática também devem ser prioridade para todos os governos comprometidos com a mitigação das emissões e a segurança climática.

“Podemos redesenhar nosso futuro neste planeta. Vai ser difícil, caro e trabalhoso, mas nosso livre-arbítrio nos permite fazer escolhas. Devemos exercê-lo para nos manter vivos. Temos que reduzir urgentemente a queima de combustíveis fósseis, acabar com a conversão de florestas e mudar, de forma geral, nossa relação com a natureza. É possível”, ressalta Guimarães.

Sobre a meta de 1,5°C

Manter o aumento da temperatura média global abaixo de 1,5 °C em relação aos níveis pré-industriais é essencial para manter a estabilidade do regime climático e dos ecossistemas terrestres. Por conta dos oceanos, que cobrem a maior parte do planeta e mantêm uma temperatura mais baixa e estável, um aumento de 1,5°C na média global significa aumentos bem mais acentuados em áreas continentais. Com essas alterações, o clima se torna excessivamente instável e desastres naturais, ondas de calor, quebra de safras e secas históricas se tornam mais comuns e intensas.

Com o aumento da temperatura, os riscos associados às mudanças climáticas se intensificam. Eventos extremos, como ondas de calor, secas, chuvas intensas e perdas na produção agrícola, tendem a se tornar mais frequentes ou intensos em diferentes regiões do planeta.

Eventos naturais, como o El Niño, também ficam mais fortes e frequentes com o aquecimento constante dos oceanos. Em 2026, menos de 3 anos depois do último fenômeno, um El Niño extremamente forte já causa danos no Brasil e acende alerta para temporais, secas e ondas de calor até o final do ano, segundo o Cemaden (Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais).

Segundo a NDC Tracker da Climate Wathc, os compromissos apresentados pelo países signatários do Acordo de Paris prometem uma redução de quase 2 gigatoneladas de CO2 até 2035, 31 gigatoneladas a menos do que o necessário para manter o aquecimento abaixo de 1,5°C e 20 gigatoneladas abaixo do necessário para manter o aquecimento abaixo de 2°C.

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