Sistemas agroflorestais conectam agricultores em intercâmbio no Pará

1 de setembro de 2026 | Notícias

set 1, 2026 | Notícias

Suellen Padilha*

Com o objetivo de promover troca de experiências entre agricultores, o IPAM (Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia) realizou, entre os dias 25 e 28 de agosto, em Tomé-Açu e Irituia (PA), um intercâmbio sobre restauração de áreas alteradas com SAFs (sistemas agroflorestais). Os participantes visitaram unidades demonstrativas de SAFs apoiadas pelo IPAM no município de Tomé-Açu. A atividade permitiu que os participantes conhecessem técnicas, espécies e diferentes arranjos produtivos utilizados em sistemas agroflorestais, além de observarem, na prática, experiências que podem ser adaptadas às condições de diferentes territórios.

A área de Raimundo Nonato Santos, que trabalha há mais de 20 anos com floresta, foi uma das visitadas. “Participo de dois projetos do IPAM que têm me ajudado muito. Estava precisando reflorestar duas áreas e eles ajudaram com as mudas de açaí e de cacau. Uma das áreas onde só havia pasto agora está com 4,8 hectares reflorestados.”

Cidade modelo em Sistemas Agroflorestais

Tomé-Açu se consolidou como uma das principais referências brasileiras em SAFs, resultado de uma trajetória construída ao longo de décadas por agricultores e instituições locais. A iniciativa surgiu como alternativa ao monocultivo da pimenta-do-reino e passou a combinar diferentes culturas agrícolas e espécies florestais, diversificando a produção e as fontes de renda.

A experiência também ganhou reconhecimento fora do município. O Ministério da Agricultura e Pecuária apresentou Tomé-Açu como exemplo de produção que integra diversidade agrícola, floresta em pé e geração de renda, enquanto pesquisas recentes continuam analisando os SAFs do município como estratégia para diversificação produtiva, agricultura familiar e resiliência. A trajetória de Tomé-Açu mostra como sistemas agroflorestais podem ser adaptados às condições locais e construir caminhos para uma agricultura que combine produção e conservação na Amazônia.

Participação no XV Seminário de Sistemas Agroflorestais de Tomé-Açu

Os agricultores e agricultoras envolvidos no intercâmbio ainda tiveram a oportunidade de participar também do “XV Seminário de Sistemas Agroflorestais de Tomé-Açu”. Nesta edição, realizada nos dias 26 e 27 de agosto, o seminário teve como tema “SAFTA: Um Legado Que Inspira o Mundo” e integrou uma programação que também contou com o I Simpósio Nacional de Agroflorestas na Amazônia e a IV Semana Acadêmica de Ciências Agrárias de Tomé-Açu. A programação reuniu palestras, trabalhos científicos, relatos de experiências e atividades de campo sobre diferentes aspectos dos SAFs e o evento reuniu mais de 300 participantes, entre agricultores e agricultoras familiares, pesquisadores, estudantes, empresas e instituições para discutir produção sustentável, agricultura familiar e novas estratégias para os sistemas agroflorestais na Amazônia.

“Divulgamos resultados dos projetos de restauração com SAFs que o IPAM tem desenvolvido no Pará, nas regiões do Tapajós e no nordeste paraense. Também foi uma oportunidade para que agricultores beneficiados por esses projetos pudessem conhecer novas tecnologias, novos arranjos produtivos e novas estratégias de divulgação e disseminação dos sistemas agroflorestais”, explicou Edivan Carvalho, pesquisador e coordenador do IPAM no Pará.

Foram debatidos temas como uso sustentável do solo, agricultura regenerativa, produção de macaúba e café, sucessão familiar no cooperativismo, regularização ambiental, sistemas agroflorestais na agricultura familiar, resiliência climática, legislação ambiental, potencial nutricional dos SAFs e compensação ambiental. A programação também abordou desafios enfrentados pela agricultura amazônica, como as mudanças climáticas e a necessidade de diversificação dos sistemas produtivos.

“Apresentamos o trabalho de implantação de SAFs, enriquecimento de capoeira e regeneração natural que desenvolvemos nas regiões do nordeste paraense, do Tapajós e da Transamazônica. Com esta iniciativa, o IPAM vem contribuindo para a recuperação de 750 hectares de passivo ambiental nessas três regiões. Pudemos falar das dificuldades e desafios, mas também sobre as oportunidades para a regularização ambiental”, contou Itallo Leal, pesquisador do IPAM.

Para Antônia dos Santos, da comunidade Jacaré, no município de Mojuí dos Campos, o seminário proporcionou novos aprendizados. “Sairei daqui muito enriquecida, conhecendo novas pessoas, tecnologias e inovações para aplicar na minha terra. É uma rotina diferente, uma vivência diferente e poder participar de forma tão intensa é gratificante”.

A programação foi encerrada com um dia de campo e a visita ao IVISAM (Instituto Vida em Sintropia da Amazônia), no município de Irituia/PA, que permitiram aos participantes conhecer experiências de agricultura regenerativa, sistemas agrossilvopastoris, agricultura sem queima e a rota da imigração japonesa diretamente nos territórios.

O intercâmbio e a participação do IPAM no XV Seminário de Sistemas Agroflorestais de Tomé-Açu fazem parte de iniciativas voltadas à restauração florestal e à implantação de sistemas agroflorestais no Pará. Entre elas o projeto “Regulariza Rural”, coordenado pelo SFB (Serviço Florestal Brasileiro) e pelo IICA Brasil (Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura); o projeto “Recuperação de áreas alteradas no estado do Pará no âmbito do Projeto Regulariza Rural”, em parceria com a CI Brasil (Conservation International Brasil); o “Projeto de Restauração Florestal: Sistemas Agroflorestais e Regeneração Natural em Tomé-Açu”; e o projeto “Restauração Florestal na Amazônia: Promovendo a recuperação de áreas alteradas com SAFs e Regeneração Natural no Estado do Pará”, em parceria com a Energisa.

Analista de comunicação do IPAM*
Suellen.nunes@ipam.org.br

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Este projeto está alinhado aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS).

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