Suellen Nunes*
Entre os dias 20 e 21 de maio, produtores extrativistas da Reserva Extrativista Cajari, no Amapá, participaram de uma oficina sobre práticas sustentáveis deprodução e manejo do açaí. A capacitação foi promovida pelo IPAM (Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia), em parceria com a Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária), com foco no fortalecimento da produção local aliada à conservação da floresta.
Durante a formação, os participantes tiveram contato com técnicas de manejo do açaizal nativo, integrando produção, conservação ambiental e fortalecimento da renda das famílias. As atividades incluíram orientações sobre identificação de espécies, planejamento do manejo e práticas aplicadas em campo para melhorar o desenvolvimento da floresta e aumentar a produtividade dos sistemas manejados sem comprometer a biodiversidade.

Para Anderson Firmino, analista de pesquisa do IPAM no Amapá, o curso mostrou aos agroextrativistas como realizar o manejo sustentável do açaí dentro da floresta, conciliando produção e conservação ambiental. “A partir do inventário florestal, conseguimos identificar as espécies presentes na área e planejar intervenções controladas, como a retirada de árvores florestais e do açaí em excesso para permitir maior entrada de luz, tendo uma maior produção de açaí. Ao mesmo tempo, o manejo mantém outras espécies florestais na área, preservando a biodiversidade e garantindo a floresta em pé”, explicou.
A formação incluiu atividades teóricas e práticas voltadas ao manejo de impacto reduzido e ao uso sustentável da floresta, com a implantação de uma URT (Unidade de Referência Tecnológica), instalada dentro da floresta para demonstração das técnicas aplicadas em campo. Durante a capacitação, os participantes realizaram inventário florestal, identificação de espécies e intervenções controladas para melhorar o desenvolvimento dos açaizais sem comprometer a biodiversidade da floresta.

Para os participantes, a capacitação também representou uma oportunidade de ampliar conhecimentos sobre o manejo sustentável do açaí e fortalecer perspectivas de geração de renda nas comunidades da Reserva Extrativista Cajari. “O curso trouxe aprendizado para a nossa comunidade, tanto na teoria quanto na prática. Para nós, isso representa esperança e uma oportunidade de preparar hoje um trabalho que pode gerar resultados no futuro para as famílias da região”, afirmou Francinei Tavares, extrativista e integrante do conselho deliberativo da Reserva Extrativista Cajari.
As atividades também incluíram momentos de troca entre os participantes sobre os resultados observados na URT, permitindo avaliar os efeitos das práticas aplicadas no manejo do açaizal e discutir possibilidades de adaptação das técnicas para outras áreas da reserva.
*Analista de Comunicação do IPAM


