Queda nos alertas reforça caminho para desmatamento zero na Amazônia

7 de agosto de 2026 | Notícias

ago 7, 2026 | Notícias

Por Mayara Subtil
  • Na Amazônia, os alertas caíram 36% entre agosto de 2025 e julho de 2026, somando 2.874,38 km², o menor valor da série histórica do Deter para o período e 55,6% abaixo da média dos últimos dez ciclos.
  • No Cerrado, houve redução de 7,8% nos alertas de desmatamento, com 5.119,46 km² registrados no período. Tocantins (-3,8%), Piauí (-51,2%) e Bahia (-27%) apresentaram queda.
  • Cinco dos seis estados amazônicos com as maiores áreas sob alerta registraram redução, com destaque para Mato Grosso (-49%), Amazonas (-46,7%) e Rondônia (-41,2%); Roraima apresentou aumento de 32,5%.

A queda nos alertas de desmatamento na Amazônia consolida uma trajetória de redução no bioma e mostra que o Brasil pode seguir avançando rumo ao desmatamento zero. É como avalia Ane Alencar, diretora de Ciência do IPAM (Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia), a partir dos novos dados do Deter (Sistema de Detecção de Desmatamento em Tempo Real), divulgados nesta sexta-feira (7) pelo INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais). O país tem meta de zerar o desmatamento até 2030.

“Os dados do Deter indicam uma consolidação da redução do desmatamento na Amazônia, o que é muito positivo. Temos a menor taxa do Prodes desde que começou a ser medida. Isso mostra a possibilidade de o país realmente continuar seguindo uma trajetória para alcançar o desmatamento zero. Prova que é possível reduzir o desmatamento na Amazônia, mesmo com todas as adversidades como as mudanças climáticas e o El Niño”, afirmou Ane Alencar.

Na Amazônia, os alertas caíram 36% entre agosto de 2025 e julho de 2026, na comparação com o ciclo anterior. Foram registrados 2.874,38 km² sob alerta de desmatamento, o menor valor da série histórica do Deter para o período, iniciada em 2016. O resultado ficou ainda 55,6% abaixo da média dos últimos dez ciclos, de 2015/2016 a 2024/2025.

No Cerrado, os alertas também apresentaram redução: a queda foi de 7,8%, com 5.119,46 km² sob alerta entre agosto de 2025 e julho de 2026.

Alertas nos estados da Amazônia

Entre os estados amazônicos com as maiores áreas sob alerta, cinco registraram redução em relação ao ciclo anterior. O Pará concentrou 987,27 km² (-25,5%), enquanto Mato Grosso registrou 834,41 km² (-49%).

No Amazonas, foram registrados 433,9 km² sob alerta de desmatamento (-46,7%). A redução também foi observada no Acre, com 153,8 km² (-35,3%), e em Rondônia, com 114,3 km² (-41,2%). Roraima seguiu na direção oposta, com 272,6 km² sob alerta, aumento de 32,5%.

O Deter também apontou redução de 28,88% nas áreas sob alerta de supressão de vegetações não florestais na Amazônia, que totalizaram 345,28 km² no período.

Cenário no Cerrado

No Cerrado, o Maranhão concentrou a maior área sob alerta, com 1.276,92 km², seguido por Tocantins (1.189,9 km²), Piauí (568,23 km²), Mato Grosso (562,02 km²), Bahia (534,94 km²) e Minas Gerais (490,38 km²).

Na comparação com o ciclo anterior, houve redução dos alertas no Tocantins (-3,8%), Piauí (-51,2%) e Bahia (-27%). Já Maranhão (+2,1%), Mato Grosso (+40,5%) e Minas Gerais (+72,5%) registraram aumento.

Apesar da redução de 7,8% no conjunto do Cerrado, os dados mostram que a queda não ocorreu de forma homogênea entre os estados, com aumento dos alertas em três dos seis que concentraram as maiores áreas detectadas pelo sistema.

Taxa oficial é do Prodes

Embora os dados do Deter indiquem a tendência dos alertas de desmatamento ao longo do período monitorado, eles não correspondem à taxa oficial de desmatamento. O sistema foi desenvolvido para subsidiar ações de fiscalização e controle a partir de alertas de alterações na vegetação nativa identificadas por imagens de satélite.

A taxa oficial é calculada pelo Prodes (Projeto de Monitoramento do Desmatamento na Amazônia Legal por Satélite), também do INPE. O sistema realiza uma análise mais detalhada das imagens e consolida anualmente a área desmatada.

Os dois sistemas cumprem funções diferentes. Enquanto o Deter identifica tendências e subsidia ações de fiscalização, o Prodes calcula a área desmatada e divulga a taxa oficial.

*Analista de comunicação do IPAM. mayara.barbosa@ipam.org.br

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