Na última porção de Amazônia do Maranhão, o IPAM (Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia) promoveu, na última semana de julho, mais uma edição do bootcamp com jornalistas e influenciadores dentro do projeto Gestão do Fogo na Amazônia. A Rebio (Reserva Biológica) Gurupi, com área de 273 mil hectares e que abriga espécies raras de árvores e espécies de animais em extinção, serviu de cenário para tratar sobre o fogo no cenário florestal.
Os convidados tiveram a oportunidade de conhecer a trilha ecológica Jatobá, que será aberta à população, ter acesso a estudos sobre o impacto do fogo na região, os desafios com a chegada do fenômeno El Niño, a implementação do projeto de MIF (Manejo Integrado do Fogo), além de entender e acompanhar o trabalho das brigadas do ICMBio (Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade).
Em 2015, a Rebio Gurupi sofreu um incêndio que destruiu 49% do território. Desde então, o trabalho de monitoramento tem sido feito para garantir a preservação da fauna e da flora local.
“Ter a oportunidade de conhecer um pedaço da Amazônia dentro do Nordeste foi uma motivação maior: ainda temos Amazônia no Nordeste”, enfatizou a jornalista Liliam Cunha, repórter da Agência EcoNordeste.
Alice Martins Morais, jornalista do Amazônia Vox, lembrou que fazer reportagens sobre a Amazônia in loco é um desafio por causa da logística, custos e até mesmo segurança.
“Mesmo quando você já é da Amazônia e fala dela, é muito difícil pisar na terra, desbravá-la e conhecer essas histórias. Com expedições como essas, conseguimos falar sobre a perspectiva da Amazônia e, inclusive, ter uma dimensão melhor, dentro da própria região, de quais desafios que se têm no bioma”, destacou.
Além da visita à Rebio Gurupi, os visitantes também acompanharam o trabalho da brigada indígena do povo Gavião, na Terra Indígena Governador. Houve visita ao viveiro montado pelos indígenas para promover ações de reflorestamento, numa área de floresta amazônica. A brigada, formada por 17 brigadistas indígenas, foi formada em 2018 após incêndio em 2015 que destruiu 90% do território, provocando perda de biodiversidade, nascentes e animais.
“O ponto principal dessa viagem é que a gente se conecta, chega num lugar comum, que é a preservação, e constrói juntos um novo caminho. Eu fui aprender como a gente lida com fogo na Amazônia e como humanizar esse trabalho porque a gente só combate fogo com pessoas, que têm histórias incríveis para contar”, afirmou Alice Pataxó, comunicadora indígena.
Durante a visita, também foi apresentado o livreto Combate aos Incêndios Florestais da Amazônia: Florestas Ombrófilas Densas, primeira publicação voltada às técnicas de combate a incêndios em florestas tropicais úmidas da Amazônia.
A expedição foi acompanhada por Ane Alencar, diretora de Ciência do IPAM, além dos pesquisadores do IPAM Celso Leite e Waira Machida.
