Suellen Nnunes*
Pelo menos 2,7 mil pessoas de comunidades rurais e tradicionais do Pará e do Amapá serão beneficiadas pelo “Frutificar Amazônia”, projeto coordenado pelo IPAM (Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia), apoiado pelo BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), por meio do Fundo Amazônia, que irá fortalecer cadeias produtivas da bioeconomia por meio do manejo sustentável de açaí e cacau, apoio à agroindustrialização e ampliação das oportunidades de comercialização.
Aprovado em 2018, o Frutificar Amazônia teve sua implementação adiada em razão da paralisação das operações do Fundo Amazônia. Após a retomada do mecanismo, o projeto passou por ajustes técnicos e financeiros e teve o contrato assinado em de abril de 2026, permitindo o início das atividades, após quase oito anos de espera.

Para Lucimar Souza, diretora de Desenvolvimento Territorial do IPAM, o maior diferencial do projeto é a atuação em todos os elos da cadeia produtiva. “Serão mais de 800 famílias diretamente envolvidas que irão receber apoio para melhoria da produção, de técnicas de manejo de baixo impacto, no caso das comunidades tradicionais, visando aumento da produtividade. O projeto também irá atuar fortemente na agroindustrialização e no acesso aos mercados”, explicou.
“Outro diferencial importante é que, desta vez, o IPAM não é o único executor do projeto. Nos estados do Pará e do Amapá, serão oito instituições parceiras que irão trabalhar diretamente com agricultores familiares, comunidades extrativistas ou quilombolas”, finaliza.
Projeto em andamento
Com investimento de R$ 38.988.636,52, o Frutificar Amazônia beneficiará pessoas em 14 municípios do Pará e do Amapá até 2029, por meio de ações voltadas ao fortalecimento das cadeias produtivas do açaí, do cacau e de outros produtos da sociobiodiversidade amazônica.

“A partir desse momento de assinatura, após a reunião com as organizações parceiras e a realização do primeiro planejamento do projeto Frutificar Amazônia, a nossa meta é voltar para as regionais, estabelecer os critérios de seleção das famílias e dos empreendimentos e começar a operacionalizar o projeto. Trata-se de um projeto que vai ser transformador para a realidade de centenas de famílias da Amazônia, especialmente nos estados do Pará e Amapá”, comentou Edivan Carvalho, coordenador de Desenvolvimento Territorial do IPAM no Pará.
O projeto é executado em parceria com oito organizações da sociedade civil, distribuídas em três territórios da Amazônia. Na região da Transamazônica/Xingu, participam a FVPP (Fundação Viver, Produzir e Preservar) e a ASAFAB (Associação dos Agricultores Familiares da Batata). No território do Tapajós, as ações serão conduzidas pela FOQS (Federação das Organizações Quilombolas de Santarém) e pela FAMCEEF (Federação das Associações de Moradores e Comunidades do Assentamento Agroextrativista do Eixo Forte). Já no Amapá, integram o projeto a AEFAC (Associação da Escola Família Agroextrativista do Carvão), a AEFAM (Associação da Escola Família Agroextrativista do Macacoari), a ATASB (Associação dos Trabalhadores Agroextrativistas do Setor Baquiá Gurupá) e a ASBAP (Associação de Batedores de Açaí do Amapá).
As ações do projeto incluem assistência técnica, fortalecimento organizacional, capacitações, estruturação de agroindústrias e desenvolvimento de estratégias de comercialização dos produtos da sociobiodiversidade.
Benefícios e acordos firmados
Entre os resultados previstos pelo Frutificar Amazônia estão o atendimento de 352 imóveis rurais com assistência técnica voltada à produção sustentável, a capacitação de 940 pessoas e o fortalecimento de 11 organizações da sociedade civil que atuam na promoção da bioeconomia na Amazônia. O projeto também apoiará a implantação, ampliação ou reforma de 10 agroindústrias, ampliando a capacidade de beneficiamento e agregação de valor a produtos como o açaí e o cacau nos territórios atendidos.

Gabriele Corrêa, vice-presidente da AEFAM no Amapá, afirma que o projeto vem para fortalecer a cadeia produtiva de açaí. “É o produto que a gente trabalha hoje lá no nosso território. Isso tudo vem para fortalecer e melhorar a qualidade de vida dos nossos produtores. Então, é gratificante, porque virá unir os produtores em prol de trazer melhoria de vida para os nossos produtores e para as famílias da nossa comunidade”, afirmou.
A iniciativa prevê ainda a recuperação de áreas degradadas e a valorização da floresta viva e saudável. Serão implantados SAFs (Sistemas Agroflorestais) em 200 hectares, além da recuperação produtiva de outros 300 hectares de áreas degradadas. O projeto também promoverá o manejo sustentável de 960 hectares de floresta, contribuindo para a geração de renda das comunidades locais e para o fortalecimento das economias regionais baseadas no uso sustentável dos recursos da biodiversidade amazônica.

“O projeto faz parte de uma estratégia de desenvolvimento que já integra o plano de desenvolvimento da FVPP, um desenvolvimento com sustentabilidade. O Frutificar vem para contribuir nesse processo, principalmente na questão da assistência técnica, da verticalização da produção com a agroindustrialização dos produtos nas cadeias do cacau e do açaí, sempre com essa pegada de sustentabilidade”, contou.
As ações serão desenvolvidas ao longo de 42 meses e contemplarão atividades de formação, governança, monitoramento e comunicação, além de investimentos em infraestrutura, equipamentos e logística para apoiar a produção sustentável nos territórios atendidos.
“Após anos de espera, o projeto representa o fortalecimento dos territórios quilombolas envolvidos. Ele traz também o protagonismo das famílias beneficiadas e remete à ancestralidade, à nossa existência e resistência no território quilombola. É um sentimento de gratidão. Acredito que ele chegou em um momento estratégico e muito pertinente para os territórios quilombolas. Estamos vivendo um momento em que entendemos que plantar e colher é o que precisamos para continuar resistindo no território. Esse projeto é fortalecedor para a população quilombola de Santarém”, explicou Miriane Coelho, presidente da FOQS.
Analista de comunicação do IPAM*
Suellen.nunes@ipam.org.com




