Amazon Week 2026 destaca bioeconomia na relação Brasil-União Europeia

8 de junho de 2026 | Notícias

jun 8, 2026 | Notícias

A bioeconomia esteve no centro das discussões da Amazon Week 2026, iniciativa que reuniu representantes de governos, organismos multilaterais, instituições financeiras, centros de pesquisa, empreendedores e organizações da sociedade civil para debater caminhos para o desenvolvimento sustentável da Amazônia.

Ao longo da programação, realizada em espaços estratégicos como a Embaixada do Brasil em Berlim, o Parlamento Europeu, a sede da Comissão Europeia em Bruxelas e a Embaixada do Brasil em Paris, os debates evidenciaram o crescente interesse internacional em soluções capazes de conciliar conservação da biodiversidade, inclusão produtiva, inovação, competitividade e desenvolvimento econômico de baixo carbono.

Nos últimos anos, a bioeconomia ganhou espaço nas agendas nacional e subnacionais brasileiras, impulsionando a construção de políticas públicas, estratégias territoriais e instrumentos de financiamento voltados ao desenvolvimento sustentável. A implementação do acordo Mercosul-União Europeia, os desdobramentos da COP30 realizada em Belém e o crescente interesse de investidores e parceiros internacionais reforçam o papel da bioeconomia como uma agenda capaz de conectar conservação da biodiversidade, inclusão produtiva, inovação, desenvolvimento econômico e cooperação internacional.

Presente no evento, Rafaela Costa, coordenadora de Bioeconomia da Diretoria de Políticas Públicas do IPAM (Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia), destacou a consolidação da bioeconomia como uma agenda estratégica para o futuro da Amazônia.

“Os debates evidenciaram a crescente convergência entre as agendas ambiental, econômica, social e climática. A bioeconomia aparece como uma oportunidade para aproximar conservação da biodiversidade, desenvolvimento territorial, inclusão produtiva e cooperação internacional, especialmente em um momento em que a Amazônia ocupa posição cada vez mais estratégica nas discussões globais. Ao mesmo tempo, ficou evidente que o desafio não é apenas ampliar investimentos, mas garantir que eles fortaleçam capacidades locais, agreguem valor nos territórios e gerem oportunidades concretas para quem vive e produz na Amazônia”, comentou.

Ao longo da semana, temas como financiamento da bioeconomia, rastreabilidade, acesso a mercados, inovação, serviços ecossistêmicos, cadeias produtivas sustentáveis e cooperação internacional estiveram presentes em praticamente todos os painéis.

Houve participação ativa de empreendedores amazônicos, que levaram para os debates internacionais experiências concretas dos territórios e os desafios enfrentados para acessar mercados globais.
Para Ana Lídia Zoni Ribeiro, fundadora da Hidromel Uruçun, a presença desses atores nos espaços de decisão é fundamental para aproximar as discussões regulatórias e comerciais da realidade das cadeias produtivas amazônicas.

“Muitas vezes, as discussões sobre comércio internacional acontecem longe dos territórios. Poder trazer para esses espaços a realidade de quem empreende na Amazônia é fundamental. No nosso caso, trabalhamos com uma cadeia produtiva que beneficia mais de 300 famílias e que depende diretamente dos serviços ecossistêmicos prestados pelas abelhas. Quando debatemos regulamentações e acesso a mercados, precisamos considerar não apenas o produto final, mas os impactos que essas decisões podem ter sobre comunidades, biodiversidade e cadeias produtivas sustentáveis que ajudam a manter a floresta em pé”, destacou.

As discussões reforçaram, ainda, o papel das políticas públicas na criação de um ambiente favorável para o desenvolvimento da bioeconomia amazônica e na construção de pontes entre territórios, investidores, mercados e inovação.

Para Camille Bendahan Bemerguy, secretária adjunta de Bioeconomia do Estado do Pará, os avanços observados nos últimos anos demonstram o amadurecimento institucional da agenda e a importância da cooperação entre diferentes atores.

“O Pará vem construindo, há cinco anos, uma agenda estruturada para a bioeconomia, baseada em planejamento, articulação institucional e diálogo com os diferentes setores da sociedade. Hoje encontramos um ambiente muito mais favorável do que há alguns anos, com políticas públicas em implementação, maior interesse de investidores e crescente reconhecimento da importância estratégica da Amazônia. Esse é um momento de fortalecer parcerias, ampliar a cooperação entre os estados amazônicos e criar as condições necessárias para que a bioeconomia se consolide como uma alternativa concreta de desenvolvimento econômico sustentável inclusivo e justo para a região”, afirmou.

Além das discussões sobre comércio e investimentos, a programação realizada em Paris destacou o papel da ciência, da inovação e das redes de pesquisa na construção de uma bioeconomia sustentável para a Amazônia.

Os debates reforçaram a importância da produção de conhecimento, da cooperação científica internacional e da participação de pesquisadores amazônicos na formulação de estratégias de longo prazo para a região.

Para Clarisse Touguinha Guerreiro, pesquisadora de Políticas Públicas do IPAM, as discussões da semana evidenciaram o papel central da ciência no avanço da bioeconomia amazônica.

“Ficou claro que institutos de pesquisa e universidades podem contribuir decisivamente para a redução dos riscos de investimento na bioeconomia em múltiplas frentes, como por exemplo: no fornecimento de dados qualificados sobre territórios para agentes de mercado e do setor financeiro; no desenvolvimento de biotecnologias que ampliem o portfólio de produtos derivados da biodiversidade local; e em pesquisas sobre o aproveitamento de subprodutos das cadeias produtivas, que aumentam a eficiência e a viabilidade econômica dos negócios. Além disso, os painéis reforçaram que o avanço da bioeconomia depende de condições habilitantes sólidas e o ordenamento territorial emerge como um elemento estruturante para garantir segurança jurídica e atrair investimentos de longo prazo para a Amazônia”, explicou.

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Este projeto está alinhado aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS).

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