Queda do desmatamento é boa notícia, mas é preciso mudanças estruturais

13 de janeiro de 2026 | Notícias

jan 13, 2026 | Notícias

Tainá Andrade*

Para o IPAM (Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia, a queda do desmatamento na Amazônia e no Cerrado é considerada um avanço, mas ainda insuficiente para a proteção definitiva dos dois maiores biomas brasileiros.

Os dados, divulgados pelo INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) na sexta-feira (9), mostram que, em 2025, o desmatamento caiu em quase 9% no Cerrado e na Amazônia. É a terceira queda seguida e o melhor resultado em oito anos. A redução dá continuidade à tendência observada oficialmente nos últimos três anos.

“A redução tem sido algo contínuo, o que é benéfico do ponto de vista ambiental e também político, porque mostra que é possível quando se tem vontade política. Porém, ainda é preciso implementar os mecanismos que já existem para manter o desmatamento zero”, explica o pesquisador sênior do IPAM, Paulo Moutinho.

Para ele, há 3 principais desafios para cumprir a meta de zerar o desmatamento ilegal até 2030: investimento em iniciativas que protejam a floresta, a exemplo da bioeconomia; aumentar a produtividade nas áreas de agricultura e pecuária sem demandar novas terras, especialmente com os pequenos e médios agricultores; e ter maior controle do desmatamento em florestas públicas destinadas ou não destinadas, sendo, esta, prioridade.

“Hoje, as terras públicas destinadas ou não destinadas respondem por cerca de 40% de todo o desmatamento na Amazônia. Apesar da redução da supressão de vegetação nativa nessas áreas, ainda existe uma ação forte de grileiros que se aproveitam do ‘limbo’ fundiário, já que não há a destinação clara definida em lei”, ressalta.

Áreas públicas com grilagem de terras sofrem tipo de desmate (Foto: Victor Moriyama/Reprodução)

As áreas públicas não destinadas são geridas pela lei de gestão de florestas públicas e são destinadas dentro de um conjunto de regras. Esses territórios não podem ser cedidos ao setor privado, mas sim destinados a povos e comunidades tradicionais como indígenas, extrativistas, quilombolas, entre outros que mantêm e vivem da floresta em pé.

*Analista de Comunicação do IPAM



Este projeto está alinhado aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS).

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