Suellen Nunes*
O projeto “Mangues da Amazônia” nasceu dentro do LAMA (Laboratório de Ecologia de Manguezal), da UFPA (Universidade Federal do Pará), em 2021, a partir da experiência acumulada de pesquisadores que já atuavam diretamente com comunidades costeiras. A iniciativa se estrutura como uma ponte entre ciência e território, com o objetivo de tornar o conhecimento mais acessível e útil para quem vive nos manguezais do Pará.
Combinando conservação ambiental e fortalecimento social, o projeto atua no reflorestamento de manguezais, na educação ambiental, na formação em tecnologias adaptadas à realidade local, também no atendimento psicossocial e em iniciativas culturais.

Os manguezais desempenham um papel estratégico no enfrentamento das mudanças climáticas, especialmente na Amazônia costeira, que concentra mais de 7.200 km² desse ecossistema e abriga a maior faixa contínua de mangues do mundo.
Essas áreas funcionam como barreiras naturais contra a elevação do nível do mar, protegendo a linha de costa e reduzindo os impactos de eventos extremos. Além disso, destacam-se como importantes sumidouros de carbono, podendo armazenar até três vezes mais carbono do que a floresta amazônica de terra firme.
Um projeto de construção comunitária

O “Mangues da Amazônia” reúne uma equipe com mais de 50 profissionais trabalhando de forma contínua, além de colaboradores mobilizados conforme as demandas, fortalecendo uma atuação que alia conhecimento técnico e engajamento comunitário.
“O ponto de partida do Mangues da Amazônia é o reconhecimento de que a conservação dos manguezais só é possível graças às comunidades tradicionais. Em uma região que reúne cerca de 20 unidades de conservação marinhas, essas populações estão presentes e participam ativamente de todas as etapas do projeto, que foi pensado para e com elas”, explica John Lennon Gomes, gestor do “Mangues da Amazônia”.
“Desenvolvemos ações que vão desde a participação de crianças e adolescentes em clubes de educação até a contratação de moradores para atuação em viveiros, produção de mudas e recuperação de áreas degradadas. Os pescadores contribuem com o conhecimento do território, e realizamos rodas de conversa com mulheres e acompanhamento psicossocial para reforçar que o projeto não chega de fora, mas se constrói junto com as comunidades”, completa.
Entre os desafios desse trabalho estão as dificuldades logísticas da região. Apesar de a Amazônia concentrar cerca de 80% dos manguezais do Brasil e manter alto nível de conservação graças às comunidades tradicionais, ainda é necessário identificar e recuperar áreas degradadas.

Ainda, os manguezais enfrentam desafios relacionados à percepção pública, frequentemente associados a ambientes sem valor. No entanto, são ecossistemas essenciais para a biodiversidade e para a economia local: cerca de 80% das espécies marinhas de interesse comercial dependem deles em alguma fase do ciclo de vida. Também garantem segurança alimentar, geram renda e possuem forte valor cultural para as comunidades tradicionais.
Indicadores de produtividade

O projeto é acompanhado por meio de indicadores como número de pessoas atendidas, alcance das ações, carga horária de formação, atendimentos psicossociais e resultados ambientais. “Entre 2024 e 2025, mais de 500 pessoas foram acompanhadas de forma contínua, enquanto outras 14 mil participaram de ações pontuais e cerca de 8.500 foram alcançadas de maneira indireta. No mesmo período, realizamos mais de 1.400 horas de formação e 401 horas de atendimento psicossocial”, relata John.
O “Mangues da Amazônia” já recuperou aproximadamente 24 hectares de manguezal, com o plantio de mais de 110 mil mudas. Ainda assim, os principais resultados aparecem nas transformações vividas pelas comunidades, especialmente entre crianças, jovens e famílias.
Para saber mais sobre o projeto, acesse www.manguesdaamazonia.org.br ou acompanhe as redes sociais em @manguesdaamazonia.
Analista de Comunicação do IPAM*.



