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IPAM Amazônia | Desenvolvimento sustentável da Amazônia pelo crescimento econômico, justiça social e proteção da integridade de seus ecossistemas.

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Controle biológico de pragas é solução eficiente para produtor rural

15.06.2021Notícias
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Plantio de soja com utilização de controle biológico de pragas em área contratada pelo CONSERV. Foto: Pedro Nogueira / IPAM

Esta é a quarta de uma série de reportagens que o IPAM (Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia), no âmbito do projeto CONSERV, publica para apresentar e estimular o debate sobre boas práticas no campo. 

Reduzindo a pressão pela abertura de novas áreas para a produção agropecuária, a natureza mantém os serviços ambientais essenciais à agropecuária, como produção de chuva, ao mesmo tempo em que o produtor aumenta sua rentabilidade. 

Toda produção, seja ela agrícola ou pecuária, está suscetível ao ataque de pragas, e um dos grandes desafios do produtor rural é realizar seu controle sem prejudicar o plantio, os animais, os seres humanos e o ecossistema de modo geral. Nesse sentido, os produtos biológicos aparecem como uma solução e podem ser grandes aliados.

O controle biológico de pragas evita sua proliferação com a ajuda de seus inimigos naturais, organismos vivos que podem ser predadores, parasitas ou patógenos. Os predadores comem ou sugam a praga em questão; os parasitas são insetos que colocam ovos ou larvas no hospedeiro, consumindo suas energias; já os patógenos, como fungos, vírus e bactérias, causam doenças nas pragas.

O pesquisador da Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) Fernando Hercos Valicente explica que uma das vantagens é o fato de os bioprodutos não afetarem organismos presentes na produção e que atuam no controle, ao contrário dos produtos químicos. “Ao não matar esses outros seres vivos que já estão lá atuando como predadores, você une forças para o controle natural.”

Outro ponto positivo, segundo o diretor comercial da BioPartner, Paulo Bogorni, é a preservação dos polinizadores. “Por não ser seletivo como o defensivo biológico, o químico mata diversas abelhas e outros animais que realizam a polinização, e a produção agrícola depende deles. Então todos os parâmetros ecológicos associados ao processo produtivo serão impactados por esse tipo de produto”, explica.

De acordo com Valicente, o bom resultado obtido com a utilização do produto biológico está relacionado com o posicionamento do defensivo, ou seja, de que modo ele deve ser utilizado. “É necessário levar em consideração a cultura, a região, qual praga deseja atacar, a época em que a aplicação deve ser feita e obedecer a dose.”

Bogorni explica que essas particularidades costumam gerar a primeira barreira por parte dos produtores rurais. “Como os bioprodutos exigem um conhecimento maior para serem implementados no campo, o produtor acaba optando pelo químico, que ele já sabe como funciona e usa há décadas.”

Atualmente é possível encontrar as informações e indicações de todos os produtos no site do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). “Você pode procurar por agente biológico e descobrir para quis pragas eles estão registrados”, diz Bogorni.

Biológico versus químico 

Valicente chama a atenção para a contaminação que produtos químicos causam, restringindo sua aplicação. “É necessário observar fatores como o vento, para não contaminar os moradores locais e próximos, além dos cuidados necessários para quem fará a aplicação”. Também neste campo o controle biológico sai na frente, pois não afeta pessoas e animais, nem polui rios e nascentes.

Alternativas naturais ainda podem agregar mais valor ao produto final. “Isso porque, ao utilizar o controle biológico, o produtor evita que os alimentos contenham resíduos químicos, desde os vegetais até os derivados do leite, como queijo, manteiga, etc.”, diz Valicente.

Bogorni destaca que, em alguns casos, o controle biológico pode ser ainda mais eficiente se comparado ao químico, como o uso de fungos na pecuária em clima ou local úmido. “O químico mata o carrapato que está ali e elimina os efeitos do inseto sobre o animal. No caso dos fungos, eles ficam no carrapato morto, no solo, e se multiplicam, contaminando os demais alvos.” O outro fator é que, com o tempo, as pragas acabam criando resistência aos pesticidas tradicionais.

Para adotar as técnicas de controle biológico, o produtor pode desembolsar o mesmo valor que gastaria na utilização do controle com defensivos químicos ou até menos. “O Brasil é referência na produção de bioprodutos, pois conseguimos vender a preços acessíveis, dada à nossa condição climática, dentre outros fatores”, afirma Bogorni. “Isso significa um custo de produção menor, um produto melhor e com preço mais competitivo no final da cadeia.”

Ele complementa que, apesar de ainda ter muito para se desenvolver, práticas como o controle biológico se enquadram em um sistema mais sustentável de produção. “É perfeitamente possível estabelecermos sistemas de manejo mais equilibrados, com práticas de controle apenas para buscar equilíbrio quando algum fator externo provoca um desiquilíbrio.”

Na prática 

Alguns produtores de Sapezal, em Mato Grosso, provaram que isso é possível na prática. Eles fazem parte do projeto CONSERV, lançado em outubro de 2020 pelo IPAM, em parceria com o Woodwell Climate Research Institute e com o EDF (Environmental Defense Fund).

O mecanismo privado e de adesão voluntária remunera financeiramente produtores rurais da Amazônia Legal que se comprometem a conservar o excedente de vegetação nativa em suas propriedades que, por lei, poderia ser suprimida.

Ari Malacarne, produtor rural contratado pelo projeto, possui área arrendada por outro participante do CONSERV que utiliza o controle biológico em pastagens, soja e milho. “Toda tentativa de diminuir agrotóxicos é válida. É algo viável que beneficia a natureza e também consegue ser mais econômico. Acredito que o produto biológico será o futuro.”

Leia todas as matérias da série Garantindo o futuro na prática:

Introdução: Futuro do agronegócio passa pela valorização do solo brasileiro.

Práticas de intensificação da pecuária: sistema rotacionado de pastagens, semiconfinamento e confinamento.

Melhoramento genético do rebanho.

Intensificação do uso solo: safra e safrinha, plantio direto, intregação lavoura-pecuária e lavoura-pecuária-floresta.

Controle biológico de pragas.

Regularização ambiental e benefícios para produtor que cumpre a lei.


Este projeto está alinhado aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS).

Saiba mais em https://brasil.un.org/pt-br/sdgs.