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Brigadistas indígenas aliam manejo do fogo à tecnologia nos territórios

13.04.2022Notícias
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Participante do curso, Celiana Cypcwyj Krikati atua há quatro anos como chefe de brigada na terra indígena Krikati, no Maranhão (Foto: Lucas Guaraldo/IPAM)

Por Bibiana Garrido¹

Em uma realização do IPAM (Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia), junto ao Woodwell Climate Research Center, dos Estados Unidos, e à COIAB (Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira), ocorreu, entre os dias 28 de março e 1° de abril, uma formação presencial para brigadistas indígenas em Brasília. O curso abordou ferramentas de SIG (Sistemas de Informação Geográfica) e sua aplicação para coleta, armazenamento, processamento e análise de dados nos territórios.

A proposta de conteúdo, que culminou também na entrega de cartilha e manual aos cursistas, foi apresentar conceitos sobre geoprocessamento e cartografia, com foco em dados relativos a fogo ativo e à área queimada, para a construção de mapas que possam ser usados em diferentes terras indígenas – considerando aproximações com conhecimentos indígenas associados ao fogo e a seus usos tradicionais.

Participaram 13 brigadistas indígenas, vindos dos Estados do Amazonas, Maranhão, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Pará, Roraima e Tocantins. Entre os cursistas, estavam integrantes dos povos Bororo, Javaé, Kadiweu, Kisêdje, Krikati, Macuxi, Xerente e Wapichana.

Autonomia com tecnologia

“O objetivo do curso é fortalecer brigadistas indígenas na defesa de seus territórios, de forma que façam os próprios mapas e tenham autonomia, apoiando esse trabalho no planejamento e na execução do manejo integrado do fogo”, diz o pesquisador no IPAM e um dos organizadores do curso Ray Pinheiro Alves.

Técnico de projetos na COIAB, Avanilson Karajá complementa: “As ferramentas de SIG são importantes para o monitoramento e para a prevenção às queimadas ilegais nas terras indígenas. Então, o curso é um aprendizado a mais que vem contribuir com a formação técnica de brigadistas que atuam na Amazônia brasileira, e que podem multiplicar e ampliar esse conhecimento para os demais.”

A formação trabalhou com SIG a partir de um conjunto de programas: o aplicativo ACI (Alerta Clima Indígena), na sua versão 4.0, e a plataforma SOMAI (Sistema de Observação e Monitoramento da Amazônia Indígena), desenvolvidos pelo IPAM com apoio de parceiros como o CIR (Conselho Indígena de Roraima), o Instituto Raoni e a COCALITIA (Comissão de Caciques e Lideranças da Terra Indígena Araribóia). Também foi utilizado o QGIS, programa de código aberto para visualização, edição e análise de dados georreferenciados.

“Durante as aulas, falamos que o curso foi um encontro do conhecimento tradicional com essas tecnologias”, comenta a pesquisadora no IPAM e no Woodwell Climate Research Center Manoela Machado. “Trabalhamos dados do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), da Nasa (Administração Nacional da Aeronáutica e Espaço dos Estados Unidos), de foco de calor, de área queimada, e entendemos tipos de dados para serem utilizados em estudos de mapas. Isso confere poder de decisão a partir da informação, seja para saber o tamanho de áreas queimadas, planejar queimas prescritas, combinar dados de fogo com dados de paisagem, ou com dados de alerta coletados pelo ACI, se comunicando com o SOMAI”, detalha.

Desafios nos territórios

“Nós, indígenas, estamos dando nosso melhor defendendo os territórios. Com a tecnologia, vem uma facilidade para o trabalho do brigadista indígena em saber o local que está pegando fogo, qual o tamanho desse fogo e a distância até ele. Mas, isso não quer dizer que deixamos nossa cultura e os usos tradicionais do fogo de lado. Mantemos nossas crenças e nossos modos de viver”, explica Celiana Cypcwyj Krikati, que atua há quatro anos como chefe de brigada na terra indígena Krikati, no Maranhão.

Parte da Associação dos Brigadistas Xerente, Bolivar Sinarí Xerente relata as dificuldades do trabalho nos territórios, que, por vezes, lidam com ameaças como extração ilegal de madeira e incêndios crimonosos. “O pessoal coloca fogo para ir avançando nas matas. Isso a gente enfrenta muito. E o manejo, que já vem de práticas indígenas, é um meio que a gente tem de amenizar, por enquanto, as tragédias de incêndios ambientais todos os anos.”

Celiana também comenta sobre a dinâmica e os desafios da atuação no manejo integrado do fogo como brigadista mulher indígena: “Não é fácil uma mulher coordenar uma equipe de brigadistas com 17 homens, onde o machismo está sempre presente. Não é fácil estar à frente do fogo e defender o seu território, os animais, as águas. Mas o território é nossa casa, então a gente tem que lutar pelo que é nosso”, acrescenta.

Brigadistas integraram atividades no Parque Nacional de Brasília (Foto: Lucas Guaraldo/IPAM)

Nos últimos três anos (2018-2021), como mostrou estudo do IPAM, o desmatamento em terras indígenas da Amazônia brasileira teve alta de 153%, comparado aos três anos anteriores (2015-2018). Esse foi o maior incremento observado entre todas as categorias fundiárias, proporcionalmente às áreas dos territórios.

Também é alta a sobreposição de terras indígenas em áreas com CAR (Cadastro Ambiental Rural), inconsistência que apresenta indícios de grilagem ligada ao desmatamento da floresta. Na terra indígena Ituna-Itatá, no Pará, por exemplo, o índice de sobreposição com registros de CAR é de 94%, segundo o SICAR (Sistema Nacional de Cadastro Ambiental Rural).

Teoria e prática

O curso ocorreu dentro e fora da sala de aula, com uma carga horária de 8 horas por dia. Se no ambiente interno os brigadistas indígenas dialogaram sobre técnicas de uso das ferramentas de SIG, a parte externa serviu para testar os aprendizados.

“Viemos até o Parque Nacional de Brasília para simular uma situação real junto aos brigadistas. A atividade traz o aplicativo Alerta Clima Indígena, versão 4.0, que permite criar alertas de fogo, de desmatamento, e marcar pontos de usos tradicionais no contexto das terras indígenas. Estamos também coletando os pontos para depois passar ao QGIS, software de Sistemas de Informação Geográfica”, conta Alves.

Brigadistas do ICMBio (Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade) no Parque Nacional de Brasília receberam a equipe em 30 de março para uma visita guiada. Os cursistas puderam observar e caminhar por áreas onde foram realizadas queimas prescritas e onde ocorreram incêndios ambientais, marcando pontos de localização e adicionando informações no aplicativo ACI, como farão, na prática, nos territórios.

Acesse a cartilha completa do curso.
Faça o download do manual de uso do ACI.

¹ Jornalista e analista de Comunicação no IPAM, bibiana.garrido@ipam.org.br


Este projeto está alinhado aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS).

Saiba mais em https://brasil.un.org/pt-br/sdgs.