Santarém recebe encontro sobre cadeia de valor do cumaru

26 de maio de 2026 | Notícias

maio 26, 2026 | Notícias

Suellen Nunes*

De 19 a 21 de maio, o município de Santarém recebeu o ECOCumaru, 1º Encontro da Cadeia de Valor do Cumaru do Oeste do Pará. O evento reuniu diferentes atores ligados à produção e ao uso sustentável do cumaru na Amazônia. A programação foi organizada pelo IBEF (Instituto de Biodiversidade e Florestas), da UFOPA (Universidade Federal do Oeste do Pará), em parceria com o IPAM (Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia), e contou com a participação de produtores, extrativistas, pesquisadores, empreendedores, representantes de empresas, organizações da sociedade civil e instituições públicas.

Nos dois primeiros dias, a programação contou com painéis temáticos, mesas de debate e apresentações técnico-científicas voltadas às oportunidades econômicas, ao mercado e às aplicações industriais do cumaru. O encerramento ocorreu com uma atividade de campo, complementando as discussões realizadas no auditório da UFOPA.

Restauração produtiva no oeste paraense

Participaram do evento beneficiários do Projeto Regulariza Rural, que atua em diversos municípios do Estado (como Santarém, Belterra, Mojuí dos Campos, Rurópolis e Traorão) para contribuir com a restauração florestal produtiva em áreas degradadas. Desenvolvido pelo IPAM, o projeto prevê a restauração de 260 hectares por meio de SAFs (Sistemas Agroflorestais) e modelos de enriquecimento florestal, priorizando espécies produtivas e estratégias alinhadas à recuperação ambiental e geração de renda.

“A iniciativa já implantou cerca de 110 hectares, com aproximadamente 18 mil pés de cumaru inseridos nos sistemas agroflorestais. O que observamos é que praticamente todas as famílias atendidas escolheram incluir o cumaru nos arranjos produtivos, mostrando o potencial econômico e ambiental dessa espécie dentro das estratégias de restauração florestal”, destacou Taiane Libório, analista de pesquisa do IPAM.

Para Libório, participar de um evento voltado à cadeia produtiva do cumaru amplia o conhecimento sobre os diferentes usos e possibilidades de mercado da espécie. “Além da comercialização da semente, o encontro apresentou possibilidades ligadas à produção de biojoias, tinturas e outros derivados, evidenciando o potencial econômico do cumaru para diferentes cadeias produtivas na Amazônia”, finalizou.

O cumaru em números no Pará

O cumaru é uma semente de uma árvore nativa da Amazônia, conhecida como a “baunilha brasileira”. Ele possui aroma adocicado e amadeirado, associado a notas de baunilha, canela e amêndoas. Um estudo desenvolvido em parceria com a UFPA (Universidade Federal do Pará), UFOPA (Universidade Federal do Oeste do Pará) e Unifesspa (Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará) apontou indícios de subnotificação na produção de cumaru no Pará.

Enquanto dados oficiais do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) registraram a produção de 148 toneladas, com movimentação de R$ 13,3 milhões, o levantamento com foco em compradores e beneficiários da cadeia identificou uma produção efetiva de 267 toneladas, equivalente a R$ 24,4 milhões movimentados.

Os dados apresentados durante o 1º ECOCumaru mostram o avanço econômico da cadeia do cumaru no Pará. Atualmente, o produto ocupa a 25ª posição em volume entre os produtos da biodiversidade e a 16ª colocação em valor comercializado. O estado concentra cerca de 80% da produção nacional, com destaque para os municípios de Santarém, Oriximiná e Curuá, considerados os principais polos produtores.
O levantamento também identificou uma valorização significativa do produto nos últimos anos. Nesse período, o preço do quilo do cumaru passou de cerca de R$ 50 para valores que chegam a R$ 100, podendo alcançar até R$ 170 em alguns locais de comercialização.

Evento fortalece articulação da cadeia produtiva

O encontro teve como objetivo fortalecer o diálogo entre os diferentes segmentos envolvidos na cadeia produtiva do cumaru no oeste paraense, promovendo a troca de experiências e ampliando a articulação entre atores ligados à pesquisa, manejo, comercialização e valorização da espécie. Ao longo da programação, a iniciativa reuniu cerca de 500 participantes.

Para a professora Daniela Pauletto, uma das coordenadoras do encontro, a realização do ECOCumaru reforça o protagonismo do oeste do Pará na cadeia produtiva da semente. “Esse evento foi pensado aqui em Santarém, dentro da universidade, justamente porque o oeste do Pará é protagonista na produção do cumaru. O Pará é o maior exportador do produto no Brasil, e grande parte desse volume vem da nossa região. A proposta do encontro foi reunir os municípios envolvidos nessa cadeia e criar um espaço de diálogo entre os diferentes atores que fazem parte desse processo”, afirmou.

Moradora da comunidade Vista Alegre, em Uruará, Maria Zelho da Silva conta que a produção da família começou com o cultivo de cacau, atividade que atualmente já apresenta bons resultados na propriedade. “Com a chegada do projeto, nós colocamos novas espécies nos sistemas produtivos, entre elas cumaru, açaí, taperebá e pequi, ampliando a diversidade de culturas cultivadas pela família”.

Segundo a produtora, a expectativa é ampliar cada vez mais a produção e aumentar a área cultivada com essas espécies. “Isso ajuda a fortalecer a renda da família e diversificar a produção dentro da propriedade”, afirmou.

Analista de Comunicação do IPAM*

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Este projeto está alinhado aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS).

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