Vidro descartado vira arte nas mãos de artesã no Pará

18 de maio de 2026 | Notícias, Um Grau e Meio

maio 18, 2026 | Notícias, Um Grau e Meio

Suellen Nunes*

Transformar o que seria descartado em arte é o que move o trabalho de Isabel de Almeida, 56 anos, designer de interiores e artesã vidreira há mais de dez anos, na cidade de Igarapé-Açu, no Pará. A relação com o vidro começou em 2012, durante a criação de uma peça decorativa. A partir dessa experiência, o material passou a ocupar um novo lugar no seu cotidiano e no seu olhar criativo, deixando de ser apenas um elemento comum para se tornar uma possibilidade estética e matéria-prima reciclável.

O que começou como uma experimentação voltada à decoração ganhou novas dimensões. Luminárias, centros de mesa, utensílios e peças utilitárias integraram sua produção. As biojoias, feitas a partir de vidro reciclado, surgiram de forma natural, a partir da relação direta com o público.
Ao utilizar suas próprias criações como acessórios no dia a dia, Isabel despertava o interesse das pessoas. “Passaram a pedir peças menores, como pingentes e adornos, e assim o que antes não era o foco se consolidou como mais uma frente do meu trabalho, mantendo a proposta de transformar o vidro descartado em arte.”

Mesmo com foco recente em peças menores, a artesã projeta ampliar sua produção, que hoje varia entre 50kg e 80kg, podendo aumentada dependendo da demanda. A meta é chegar a 500 quilos de vidro reaproveitado por mês, o que depende da aquisição de novos equipamentos e da ampliação da capacidade produtiva. Segundo ela, a quantidade de material já está disponível, vindo de diferentes fontes, e demonstra o potencial de crescimento da iniciativa.

Transformação e técnicas de trabalho

A matéria-prima utilizada vem de diferentes origens e reflete o crescimento da iniciativa. No início, o vidro era coletado entre familiares e amigos. Com o reconhecimento do trabalho, passou a chegar de bares, restaurantes e da própria comunidade, revelando também uma mudança na percepção sobre o destino desse material. “Hoje, além de garrafas, também uso vidro plano, como portas, janelas e sobras de marcenaria e indústria, ampliando as possibilidades de criação e reaproveitamento”, explica.

O processo de transformação envolve aprendizado contínuo e domínio de técnicas específicas. Ao longo dos anos, a artesã buscou capacitação, incluindo formações em ateliês fora do Brasil. Atualmente, trabalha principalmente com duas técnicas, o entalhe e a vitrofusão. Enquanto o entalhe permite o corte e a modelagem do vidro sem o uso de forno, a vitrofusão envolve altas temperaturas para fundir e dar novas formas ao material. Cada peça carrega esse processo técnico aliado à experimentação artística.

O trabalho carrega uma mensagem direta sobre reaproveitamento, reciclagem e possibilidades. Para Isabel, o vidro descartado não é um resíduo sem valor, e sim um recurso que pode ser ressignificado. Ao transformar esse material em peças artísticas e funcionais, ela contribui para a redução de resíduos e para a diminuição da extração de novas matérias-primas, ao mesmo tempo em que constrói sua própria fonte de renda.
“O meu trabalho mostra que é possível transformar o vidro de descarte em arte. Além de reduzir resíduos, ele também sustenta a mim e minha filha, então é uma forma de cuidar do meio ambiente e da nossa própria vida”, finaliza.

Analista de Comunicação do IPAM*

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Este projeto está alinhado aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS).

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