Queda nos alertas de desmatamento evidencia efeito das políticas públicas

10 de julho de 2026 | Notícias

jul 10, 2026 | Notícias

Por Mayara Subtil*
  • A Amazônia reduziu em 37,2% os alertas de desmatamento entre agosto de 2025 e junho de 2026. No mesmo período, o Cerrado registrou queda de 7,9%;
  • Em junho de 2026, os alertas caíram 35% na Amazônia e 5,3% no Cerrado, em comparação com o mesmo mês de 2025;
  • Segundo Ane Alencar, diretora de Ciência do IPAM, a redução nos dois biomas demonstra que políticas públicas de combate ao desmatamento produzem resultados concretos quando implementadas de forma consistente e reforça que o desmatamento não é um processo inevitável;
  • Para a pesquisadora, a queda nos alertas não significa que a Amazônia esteja protegida, já que incêndios florestais, degradação, garimpo, exploração madeireira e mudanças climáticas continuam ameaçando o bioma.

A Amazônia registrou queda de 37,2% no acumulado de alertas de desmatamento de agosto de 2025 a junho de 2026, na comparação com igual período do calendário anterior. Os dados, divulgados nesta sexta-feira (10) pelo INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), por meio do DETER (Sistema de Detecção de Desmatamento em Tempo Real), revelam que os avisos no bioma amazônico passaram de 3.959,98 km² para 2.485,90 km². Já no Cerrado, a redução nos alertas foi de 7,9%, passando de 5.091 km² para 4.689,40 km² também no mesmo intervalo.

Considerando somente o mês de junho, os alertas de desmatamento somaram 297,26 km² na Amazônia, ou seja, queda de 35% em relação ao mesmo mês do ano passado, enquanto que no Cerrado foram registrados 481,53 km² de supressão da vegetação nativa: redução de 5,3% também na comparação com junho de 2025.

Para Ane Alencar, diretora de Ciência do IPAM (Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia), o saldo de queda de avisos nos dois biomas demonstra que políticas públicas de combate ao desmatamento produzem resultados concretos quando implementadas de forma consistente. “Mostra que a vontade política de combater o desmatamento realmente tem prevalecido”, reforçou.

Segundo a diretora, o resultado também revela que a redução do desmatamento responde diretamente às decisões tomadas pelo poder público.

“Do ponto de vista científico, isso representa uma evidência de que o desmatamento não é um processo inevitável e que sua redução responde às decisões da sociedade e do Estado, basicamente à vontade política de combater esse problema”, destacou.

Alertas na Amazônia

A redução dos alertas de desmatamento contribui na redução das emissões de gases poluentes à atmosfera, conservação da biodiversidade e manutenção de serviços ecossistêmicos essenciais, como a regulação das chuvas e da temperatura. Mesmo assim, Alencar reforça que os resultados do INPE/DETER representam apenas uma etapa e que a manutenção dessa tendência de queda nos dados vai depender da continuidade das políticas florestais.

A pesquisadora alerta ainda que a redução de desmatamento não significa que a Amazônia esteja protegida, sendo que outras ameaças seguem em avanço, como os incêndios florestais, a degradação, o garimpo, a exploração madeireira e os reflexos dos efeitos das mudanças climáticas.

“A gente pode reduzir o desmatamento, como aconteceu, e ainda assim ter mais áreas de floresta sendo impactadas por incêndios florestais. Então, precisamos combater os dois problemas lado a lado. O grande desafio agora é consolidar essa queda e ampliar as políticas que ajudam a prevenir os incêndios e a controlar melhor o uso do fogo. Porque reduzir o desmatamento é vencer uma batalha, mas ainda precisamos reduzir os incêndios florestais”, reforçou.

Cenário no Cerrado

Os dados do DETER também mostram redução dos alertas de supressão da vegetação nativa no bioma Cerrado. De acordo com o INPE, a presença significativa de nuvens em parte do Cerrado durante junho pode ter dificultado o monitoramento do bioma. Como o DETER utiliza imagens de satélite para identificar alterações na vegetação, a cobertura de nuvens pode reduzir a capacidade de detecção em algumas áreas.

Para Ane Alencar, a redução simultânea dos alertas nos diferentes biomas demonstra que é possível avançar em uma estratégia nacional de proteção da vegetação nativa. “Com isso, evitamos que esse problema seja simplesmente transferido para outra região”, disse.

Conforme a diretora de Ciência do IPAM, o Cerrado exerce papel estratégico à segurança hídrica do Brasil por abrigar as nascentes das principais bacias hidrográficas do país e, assim como os demais biomas, deve ser protegido para garantir a estabilidade climática, a produção agrícola e a conservação da biodiversidade.

Taxa oficial é do Prodes

Embora indique a tendência do desmatamento ao longo do período monitorado, o DETER não corresponde à taxa oficial de desmatamento no país. O sistema foi desenvolvido para subsidiar as ações de fiscalização e controle, emitindo alertas diários de supressão, desmatamento e degradação da vegetação nativa identificados por imagens de satélite.

A taxa oficial é calculada pelo Prodes (Projeto de Monitoramento do Desmatamento na Amazônia Legal por Satélite), também do INPE. Ao contrário do DETER, o Prodes realiza uma análise mais detalhada das imagens e consolida, uma vez por ano, a área desmatada.

Os dois sistemas, portanto, cumprem funções diferentes. Enquanto o DETER identifica tendências e subsidia as ações de fiscalização quase em tempo real, o Prodes calcula a área desmatada e divulga a taxa oficial do país.

*Analista de comunicação do IPAM. mayara.barbosa@ipam.org.br

ODS 13

Este projeto está alinhado aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS).

Saiba mais em brasil.un.org/pt-br/sdgs.

Veja também

See also