*Por Nikole Cantoara
A cartilha “Manejo Integrado do Fogo: caminho para conviver com o fogo” reúne estratégias para a gestão planejada do fogo e mostra como essa abordagem pode contribuir na redução de riscos ambientais e sociais. A publicação reúne orientações práticas, conceitos fundamentais e exemplos que ajudam a compreender quando e como o fogo pode ser utilizado de forma responsável.
Produzida pelo IPAM (Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia) em parceria com o PrevFogo, do IBAMA (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis), a cartilha faz parte do projeto “Melhoria da gestão e controle de incêndios florestais no Brasil e na região amazônica”, desenvolvido pelo IPAM e financiado pela FAO (Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura).
A cartilha reúne ciência aplicada, ecologia do fogo, saberes coletivos e tradicionais, governança territorial e políticas públicas. Tornando o guia uma ferramenta essencial para apoiar o planejamento e gestão do fogo em diferentes territórios.
“O principal foco do guia é a disseminação do conhecimento e sua implementação. Ele é voltado a diferentes atores que desejam se integrar e compartilhar informações sobre o manejo integrado do fogo”, afirma Ane Alencar, diretora de Ciência do IPAM.
Os riscos dos incêndios florestais e o MIF
Dados gerados pelo Monitor do Fogo, iniciativa da rede MapBiomas Fogo, coordenado pelo IPAM, mostram que, em decorrência de incêndios descontrolados, a Amazônia apresentou, no ano de 2024, um aumento de 79% de áreas queimadas em comparação ao ano de 2023. Em terras indígenas, o aumento foi de 81% e, em áreas naturais protegidas, 116%.
Neste cenário, agravado pelas mudanças climáticas, o MIF se mostra como uma alternativa estruturada. A abordagem vai além do uso do fogo isoladamente e envolve planejamento, prevenção, uso controlado, preparação, combate e recuperação, A estratégia foca no conjunto de ações que acolhem necessidades ambientais, proteção territorial e modo de vida das comunidades para uma ação eficiente e objetiva.
O MIF foi instituído como política nacional pela lei nº 14.944/2024 e visa a redução de incêndios florestais, o reconhecimento do papel ecológico do fogo e o respeito aos saberes e às práticas de seu uso tradicional.
