Por Lucas Guaraldo
Aumentar a produtividade rural e proteger safras passa pela expansão de áreas conservadas e por sua inclusão nas paisagens produtivas e não pelo desmatamento, alertou André Guimarães, diretor executivo do IPAM (Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia) e Enviado Especial da Sociedade Civil da COP30, durante a “2026 World AgriFood Innovation Conference”.
Ocorrido na tarde desta terça-feira (15), horário da China, o painel “O papel da agricultura regenerativa para a resiliência climática” foi organizado por IPAM, ICV (Instituto Centro de Vida), O Mundo Que Queremos, CAU (Universidade de Agricultura da China) e Eccon soluções ambientais, reunindo representantes da sociedade civil brasileira e pesquisadores de instituições e universidades chinesas voltadas à produção sustentável e ao desenvolvimento territorial.
“Esse paradigma de eliminar a natureza para abrir áreas de plantio tem que ser repensado. Existe uma conexão muito forte entre a área de cultivo e a floresta, e podemos ver isso apenas observando a altura das plantas e a qualidade do solo à medida que nos aproximamos de um fragmento de floresta dentro de uma propriedade rural. Para produzir mais, não precisamos desmatar mais, mas redesenhar as nossas paisagens produtivas”, defendeu Guimarães, que apresentou dados sobre a interação entre áreas de lavoura e florestas coletados por pesquisadores do GALO (Global Assessment from Local Observations), projeto do instituto, na Estação de Pesquisa Tanguro, em Mato Grosso.
Ainda de acordo com a pesquisa, a cada grau que a temperatura média de uma propriedade aumenta, a soja perde 6% de sua produtividade e o milho, 8%. Nas propriedades analisadas pelos pesquisadores, isso resulta em perdas de cerca de 20% antes mesmo de serem contabilizados o aquecimento causado pelas mudanças climáticas ou por fenômenos como o El Niño.
“Em resumo, precisamos de mais florestas nos sistemas agropecuários. É ela que protege a lavoura contra as ondas de calor, as secas e as quebras de safra. Sem ela, o ar fica mais seco porque existe menos água disponível no sistema e as temperaturas aumentam, o que afeta diretamente a produtividade das principais commodities exportadas pelo Brasil”, completa Guimarães.
A atividade faz parte de uma série de iniciativas na China que contarão com a presença de representantes do IPAM. Entre os dias 6 e 12 de setembro, Gabriela Savian, diretora de Políticas Públicas do instituto, participou de um intercâmbio com foco no restauro florestal promovido pelo Banco Mundial. Durante o evento, os participantes puderam apresentar experiências de seus países na recuperação de paisagens e conhecer as metodologias e conceitos que têm guiado as políticas ambientais chinesas nas últimas décadas.