Na China, IPAM participa de intercâmbio de experiências em restauro

14 de setembro de 2026 | Notícias

set 14, 2026 | Notícias

Por Lucas Guaraldo 

O IPAM (Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia) participou do “Ecological Civilization Flagship Knowledge Exchange Program”, evento organizado pelo Centro Global China-Banco Mundial para Sistemas Ecológicos e Transições, em Pequim, na China. A iniciativa busca reunir pesquisadores e representantes de diversos países para trocar experiências e firmar parcerias de cooperação em iniciativas de restauração ecológica, agricultura sustentável e combate à poluição.

“Pudemos desenhar planos de ação e definir ações concretas para a cooperação internacional dos países com a China, além de conhecer algumas iniciativas de sucesso em termos de implementação de soluções baseadas na natureza. Tivemos um contato mais direto com as políticas ambientais e climáticas e as ações que estão sendo colocadas em prática, tanto aqui, quanto nos outros países que participaram da dinâmica”, explica Gabriela Savian, diretora de Políticas Públicas do IPAM, que participou do encontro.

Participantes do evento também foram apresentados ao projeto de recuperação do Lago Qiandao, lago artificial de água doce localizado na província de Zhejiang. Formado nos anos 1960 a partir da construção de uma hidrelétrica, o lago recebeu, em 2018, um projeto de US$ 150 milhões financiado pelo Banco Mundial, com foco na gestão hídrica, no abastecimento e na produção de alimentos, beneficiando diretamente 13 milhões de habitantes do Delta do Rio Yangtzé.

A atividade faz parte de uma série de iniciativas na China que contarão com a presença de representantes do IPAM. Nos dias 13 e 14 de setembro, André Guimarães, diretor executivo do instituto e enviado especial para a Sociedade Civil da COP30, também esteve presente no 2º Simpósio Brasil–China sobre Florestas e Natureza, em Hangzhou, para aprofundar a cooperação entre os dois países em temas como proteção florestal, biodiversidade, segurança alimentar, agricultura sustentável, financiamento e implementação de políticas públicas.

Conceitos da experiência chinesa

Além da troca de experiências, o evento marcou uma apresentação das políticas ambientais chinesas, guiadas por métodos e estratégias diferentes dos adotados em outras partes do mundo. Durante o seminário, pesquisadores da Academia Chinesa de Ciências Sociais apresentaram os conceitos de “Duas Montanhas”, que prioriza a valorização de ativos ambientais, e de “Civilização Ecológica”, que coloca o equilíbrio ambiental no centro dos projetos de desenvolvimento. Ambos os conceitos são centrais para as políticas ambientais e os planos quinquenais chineses.

“Na China, a restauração de ecossistemas não é só a restauração ecológica, como a gente trata no Brasil, mas é uma restauração do contexto territorial como um todo, incluindo fatores diversos da cultura e do desenvolvimento de uma determinada área. Também pudemos conhecer uma vila para entender a governança e o processo de repartição de benefícios a partir dos incentivos gerados com a conservação dos ecossistemas”, explica Savian.

O Banco Mundial tem destacado os esforços chineses de recuperação de paisagens degradadas, investimentos em energias alternativas e produção sustentável de alimentos. Em agosto, o potencial de geração de energia da matriz solar do país superou, pela primeira vez, o das usinas de carvão. Ao mesmo tempo, desde 2000, projetos de reflorestamento e produção de alimentos já recuperaram 82 milhões de hectares de florestas, sobretudo no sudoeste chinês.

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