As discussões da 1ª Conferência para a Transição além dos Combustíveis Fósseis, que ocorrem esta semana, em Santa Marta, na Colômbia, têm um papel estratégico para consolidar o Mapa do Caminho sobre o tema, proposto pela COP30, em Belém. Para o IPAM (Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia), o evento é histórico por reunir governos, instituições e cientistas em prol da transição energética justa.
“A Conferência de Santa Marta, além de legitimar e fortalecer o mapa do caminho acordado em Belém, coloca no centro do debate o tema que deveria ter sido o palco de todas as COPs do clima: a eliminação da dependência dos combustíveis fósseis. Como enfatizado pela presidência brasileira na COP30, chegou a hora da implementação, para isso, o surgimento de novos mecanismos e instrumentos se faz necessário”, afirmou André Guimarães, diretor executivo do IPAM.
Para o IPAM, a implementação de uma transição para o fim dos combustíveis fósseis é essencial para impedir que a temperatura continue aumentando e garantir que as florestas, a produção agropecuária e a segurança alimentar deixem de ser ameaçadas pelas mudanças climáticas.
Os combustíveis fósseis, como o petróleo, gás natural e carvão, representam até 75% das emissões globais de gases do efeito estufa. Manter a floresta em pé garante o armazenamento de grandes quantidades de carbono e ajuda na regulação do clima, fundamental para a produção de alimentos.
“Mais petróleo, mais carbono na atmosfera, mais temperatura, menos água no sistema, floresta seca, agricultura fica comprometida. Quando a gente fala de segurança alimentar, uma parte da insegurança alimentar que nós viveremos daqui para frente é causada pelo aumento do preço dos combustíveis E uma parte do aumento dos preços de alimentos, certamente, nos próximos anos, vai estar vinculada à mudança climática”, avaliou.
Estudos do IPAM demonstram que o Brasil tem uma capacidade de converter 40 milhões de hectares de áreas degradadas em ativos produtivos para uma economia verde — beneficiando, até mesmo, o setor de transportes com biocombustíveis como etanol, biometano e biodiesel, combustíveis mais baratos e menos vulneráveis às variações do preço do barril de petróleo.
Além disso, também no tema da superação da dependência econômica do investimento em fósseis, o IPAM sugere a criação de Royalties Verdes, um fundo de até 20 bilhões de dólares, que compensaria Estados e Municípios pela não exploração de petróleo na Margem Equatorial.
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