Cúpula Global de Bioeconomia apresenta nova estratégia de longo prazo para o setor

20 de outubro de 2026 | Notícias

out 20, 2026 | Notícias

Por Lucas Guaraldo

 

A primeira versão da Estratégia 2040, que busca definir caminhos para a expansão da bioeconomia global nas próximas décadas, foi apresentada na manhã desta terça-feira, 20, durante a mesa de abertura do Global Bioeconomy Summit. Neste ano, o encontro discute a consolidação das estratégias construídas a partir da iniciativa de bioeconomia do G20, liderada pelo Brasil, e os resultados da COP30.

Em seu relatório anual, o Fórum Mundial de Bioeconomia estima o valor total da bioeconomia mundial em US$ 4 trilhões, com potencial para chegar a US$ 30 trilhões até 2050, o equivalente a cerca de um terço da economia global.

“Esse é um evento internacional que acontece a cada dois anos. Nesta edição, os participantes estão consolidando o trabalho que vem sendo desenvolvido em torno da bioeconomia e de suas estratégias, reunindo essas iniciativas na Estratégia 2040. O rascunho do documento foi lançado hoje, e a versão final será concluída amanhã”, destaca Gabriela Savian, diretora de Políticas Públicas do IPAM (Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia), que participa das discussões da cúpula.

O Global Bioeconomy Summit é um dos principais fóruns internacionais de alto nível dedicados à discussão de estratégias para o setor. Realizado em Dublin, na Irlanda, entre 19 e 22 de outubro, o encontro reúne líderes políticos, formuladores de políticas públicas, cientistas, empresários, investidores e representantes da sociedade civil de todo o mundo para discutir o futuro da bioeconomia. Os resultados desses debates serão incorporados à versão final da Estratégia 2040, que busca estabelecer uma visão de longo prazo para a bioeconomia mundial.

Estratégia de longo prazo

A Estratégia 2040 está estruturada em três eixos principais: crescimento econômico sustentável, natureza e justiça social. O primeiro eixo abrange temas como biomassa, biocombustíveis e energias alternativas. Os outros dois propõem consolidar a bioeconomia como estratégia de adaptação às mudanças climáticas e de descarbonização da economia, além de instrumento para promover uma transição justa e gerar renda para povos e comunidades.

“A partir dessas estratégias, estamos construindo formas de mensurar e acompanhar a implementação das ações de bioeconomia. Apesar de ainda haver uma priorização das indústrias, da biomassa e de outros aspectos semelhantes, os países têm começado a compreender, aceitar e diversificar essa perspectiva sobre a bioeconomia”, ressalta Savian.

A nova estratégia propõe ampliar a oferta de negócios e empregos sustentáveis, reduzir a dependência de combustíveis fósseis, restaurar a biodiversidade e fortalecer a participação de povos indígenas, comunidades locais e países do Sul Global. As metas têm caráter orientativo, sem obrigatoriedade de cumprimento, e dependem de cooperação internacional, financiamento, políticas públicas e mecanismos de monitoramento.

“Esse é mais um legado que o Brasil está deixando para a bioeconomia: nossas contribuições enriqueceram a visão europeia sobre o tema ao incorporar perspectivas sociais e ambientais, que antes não estavam presentes e que não são naturais da abordagem europeia”, completa.

Nos próximos dias, o evento discutirá a consolidação do mercado global da bioeconomia e os planos de financiamento para estimular o setor. Também serão realizados workshops voltados à ampliação do alcance e da viabilidade de estratégias locais para o desenvolvimento da bioeconomia.

Veja aqui a agenda completa. 

 

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