Vulnerabilidades e riscos compostos por desastres climáticos crescentes na Amazônia brasileira

1 de dezembro de 2025

dez 1, 2025

Patrícia F. Pinho, Ane Alencar, Lindsay Stringer, Rafaella Silvestrini, Martha Fellows, Letícia Perez, Carolina Guyot, Paulo Moutinho, David Lapola

A Amazônia brasileira é severamente impactada por eventos climáticos extremos, com 1,8 milhão de pessoas (6,4% da população da Amazônia brasileira) afetadas por desastres relacionados ao clima a cada ano entre 2018 e 2022. No entanto, como os desastres climáticos afetam especificamente as populações humanas em diferentes municípios da Amazônia ainda é pouco explorado. Nosso objetivo é preencher essa lacuna, apresentando uma avaliação espaço-temporal de desastres relacionados ao clima e vulnerabilidade social em toda a Amazônia brasileira no período de 2000 a 2022, considerando enchentes, secas, ondas de calor, incêndios e deslizamentos, utilizando uma perspectiva de risco composto. A análise de dados secundários mostra que a frequência de desastres aumentou, com eventos úmidos crescendo cinco vezes, incêndios dez vezes, e secas e ondas de calor triplicando. As perdas econômicas aumentaram 370%, alcançando US$ 634,2 milhões anuais, sendo os eventos úmidos os mais danosos.

A agricultura respondeu por mais de 60% do total de perdas, seguida pela infraestrutura, habitação e serviços de saúde. Municípios menores, que hospedam 61% da população. A população indígena da região sofreu os maiores impactos relativos, incluindo uma perda de 9,58% no crescimento econômico e menores pontuações no Índice de Progresso Social. Dados sobre perdas e danos não econômicos eram escassos, mas agravaram ainda mais os impactos nessas áreas vulneráveis. Os achados ressaltam que as mudanças climáticas são um multiplicador da pobreza e destacam a necessidade urgente de que as políticas de adaptação sejam centradas na justiça.

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The purpose of this publication is to provide a better understanding on the contribution of indigenous perspectives to the discussion of REDD+ benefit sharing, based on some indig- enous’ points of view and experiences of the Amazon indigenous peoples in Brazil. More specifically, the aim from a participatory and consultative process is to provide support for the construction benefit sharing models for REDD+ programs, which actually promotes inclu- sion of these people, focusing on the Brazilian context.