Adaptação e mitigação climática serão foco indígena na COP30

21 de março de 2025 | Notícias

mar 21, 2025 | Notícias

Karina Custódio*

Adaptação e mitigação climática foram temas de destaque no encontro entre lideranças indígenas em Belém, que planeja estratégias para atuação dos povos originários na COP30. Durante três dias (19 a 21 de março), 28 representantes indígenas das cinco regiões do Brasil participaram do II Curso do Comitê Indígena de Mudanças Climáticas (CIMC). O Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM) participou da formação oferecendo apoio técnico e científico às discussões.

Sineia Wapichana, co-presidente do Caucus Indígena pela América Latina e Caribe, é também uma das coordenadoras do CIMC. “Um tema muito presente durante as discussões foi o impacto das mudanças climáticas em povos isolados, trazido por Beto Marubo. Ainda, tivemos a oportunidade de nos aprofundar sobre o funcionamento do Caucus indígena e a plataforma de povos indígenas e comunidades”, explica a ativista e cientista indígena.

O IPAM, que apoia o CIMC desde sua criação, participou do encontro apresentando um panorama científico das questões climáticas e do funcionamento de instituições e espaços de discussões internacionais, como o IPCC (Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas). Ainda, resgatou o histórico de negociações das COPs.

“Povos indígenas cada vez mais têm conquistado espaços nas Conferências do Clima e nessa COP espaços estratégicos foram alcançados. Fortalecê-los pode mudar a forma como a política climática tem sido feita. O IPAM foi uma das primeiras organizações que apoiou a presença de organizações indígenas na COP, por entender a importância de incluí-los em espaços de decisão sobre o clima”, afirma Martha Fellows, pesquisadora do IPAM.

O encontro marca um momento de renovação do CIMC, com a formação de novos membros para participar da COP30. Maioque Rodrigues, do povo indígena Terena e professor da rede municipal, conta como a formação deve auxiliar no evento de novembro.

“O curso é extremamente importante para compreender a dinâmica do evento. Eu nunca participei de nenhuma COP, então tudo isso é algo novo para mim. Estou tendo acesso a informações que não faziam parte da minha realidade. Falar de mudanças climáticas é corriqueiro dentro do território, mas falar de política sobre o clima é muito complexo”, comenta o professor.

A formação foi realizada pela APIB (Articulação dos Povos Indígenas do Brasil) em parceria com o IPAM, apoio do EDF (Environmental Defense Fund), da Rainforest Foundation Norway e do Greenpeace Brasil.

Analista de comunicação*

Foto de capa Natália Tejada/IPAM*



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