Por Lucas Guaraldo
A primeira versão da Estratégia 2040, que busca definir caminhos para a expansão da bioeconomia global nas próximas décadas, foi apresentada na manhã desta terça-feira, 20, durante a mesa de abertura do Global Bioeconomy Summit. Neste ano, o encontro discute a consolidação das estratégias construídas a partir da iniciativa de bioeconomia do G20, liderada pelo Brasil, e os resultados da COP30.
“Esse é um evento internacional que acontece a cada dois anos. Nesta edição, os participantes estão consolidando o trabalho que vem sendo desenvolvido em torno da bioeconomia e de suas estratégias, reunindo essas iniciativas na Estratégia 2040. O rascunho do documento foi lançado hoje, e a versão final será concluída amanhã”, destaca Gabriela Savian, diretora de Políticas Públicas do IPAM (Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia), que participa das discussões da cúpula.
O Global Bioeconomy Summit é um dos principais fóruns internacionais de alto nível dedicados à discussão de estratégias para o setor. Realizado em Dublin, na Irlanda, entre 19 e 22 de outubro, o encontro reúne líderes políticos, formuladores de políticas públicas, cientistas, empresários, investidores e representantes da sociedade civil de todo o mundo para discutir o futuro da bioeconomia. Os resultados desses debates serão incorporados à versão final da Estratégia 2040, que busca estabelecer uma visão de longo prazo para a bioeconomia mundial.
Estratégia de longo prazo
A Estratégia 2040 está estruturada em três eixos principais: crescimento econômico sustentável, natureza e justiça social. O primeiro eixo abrange temas como biomassa, biocombustíveis e energias alternativas. Os outros dois propõem consolidar a bioeconomia como estratégia de adaptação às mudanças climáticas e de descarbonização da economia, além de instrumento para promover uma transição justa e gerar renda para povos e comunidades.
“A partir dessas estratégias, estamos construindo formas de mensurar e acompanhar a implementação das ações de bioeconomia. Apesar de ainda haver uma priorização das indústrias, da biomassa e de outros aspectos semelhantes, os países têm começado a compreender, aceitar e diversificar essa perspectiva sobre a bioeconomia”, ressalta Savian.
A nova estratégia propõe ampliar a oferta de negócios e empregos sustentáveis, reduzir a dependência de combustíveis fósseis, restaurar a biodiversidade e fortalecer a participação de povos indígenas, comunidades locais e países do Sul Global. As metas têm caráter orientativo, sem obrigatoriedade de cumprimento, e dependem de cooperação internacional, financiamento, políticas públicas e mecanismos de monitoramento.
“Esse é mais um legado que o Brasil está deixando para a bioeconomia: nossas contribuições enriqueceram a visão europeia sobre o tema ao incorporar perspectivas sociais e ambientais, que antes não estavam presentes e que não são naturais da abordagem europeia”, completa.
Nos próximos dias, o evento discutirá a consolidação do mercado global da bioeconomia e os planos de financiamento para estimular o setor. Também serão realizados workshops voltados à ampliação do alcance e da viabilidade de estratégias locais para o desenvolvimento da bioeconomia.