Organização comunitária fortalece a agricultura familiar em Paragominas

19 de outubro de 2026 | Notícias, Um Grau e Meio

out 19, 2026 | Notícias, Um Grau e Meio

A agricultura familiar pode produzir alimentos e, ao mesmo tempo, contribuir para a conservação ambiental. Em Paragominas, no Pará, essa transformação passa pela organização das comunidades rurais, pelo acesso à assistência técnica e pela construção coletiva de alternativas ao uso do fogo na produção. É nesse processo que Maria Oenice, agricultora familiar, mãe e avó, atua como liderança, articulando produtores e produtoras em busca de melhores condições de trabalho e de uma relação mais sustentável com a terra.

Presidente de uma associação e coordenadora geral do FCRP (Fórum das Comunidades Rurais de Paragominas), Maria Oenice participa da mobilização de representantes de 52 comunidades do município. A organização reúne lideranças locais e busca fortalecer o diálogo entre as famílias agricultoras, identificar necessidades comuns e ampliar a capacidade de reivindicar políticas públicas e parcerias. Para facilitar a articulação em um território extenso e diverso, as comunidades foram organizadas em cinco polos, com encontros trimestrais para discutir desafios e encaminhar demandas.

Antes da chegada de iniciativas de assistência técnica, muitas famílias trabalhavam sem orientação sobre alternativas produtivas e práticas de conservação. O preparo de novas áreas envolvia desmatamento e uso do fogo, enquanto margens de rios e grotas nem sempre eram preservadas. Com o acompanhamento técnico e a troca de conhecimentos, parte das comunidades passou a experimentar outras formas de cultivar a terra.
Uma dessas mudanças é a adoção da roça sem fogo, que permite produzir farinha sem recorrer à queima da vegetação. Segundo Maria Oenice,

aproximadamente 27 comunidades são acompanhadas pelo trabalho de assistência técnica, e a experiência tem incentivado outras localidades a conhecer e adotar práticas semelhantes.

Para a agricultora, cuidar do meio ambiente também é preservar as condições de vida das famílias rurais. “Se nós não o protegermos, nós também não temos proteção”, afirma.

O fortalecimento das organizações comunitárias também abre caminhos para a juventude rural. Com novas técnicas, capacitação e oportunidades de produção, permanecer no campo pode deixar de ser encarado apenas como uma atividade marcada pelo esforço físico e pela falta de perspectivas.
Apesar dos avanços, a agricultora ressalta que ainda é necessário ampliar o apoio do poder público. “A formação técnica e o acesso a equipamentos adequados para as diferentes realidades das comunidades, junto à organização coletiva, é uma parte fundamental desse caminho: associações e fóruns ajudam a aproximar as famílias de parceiros e criam soluções para necessidades compartilhadas”, finaliza.

*Analista de Comunicação do IPAM
Suellen.nunes@ipam.org.br

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Este projeto está alinhado aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS).

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