*Por Nikole Cantoara
A RedeAr, plataforma desenvolvida pelo IPAM (Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia) em parceria com a UFPA (Universidade Federal do Pará), foi premiada pelo fundo EPIC Air Quality Fund pelo trabalho de ampliar a cobertura e a disponibilidade de informações sobre a qualidade do ar na Amazônia. O prêmio reconhece iniciativas que ampliam o acesso a essas informações e transformam dados em evidências para orientar ações e políticas públicas.
“Para nós, essa conquista representa o reconhecimento da importância de levar o monitoramento da qualidade do ar a uma região que ainda possui grandes lacunas de dados e, principalmente, de transformar essas informações em uma ferramenta para a sociedade e para a tomada de decisão”, relata Vanessa Ribeiro, pesquisadora do IPAM e uma das idealizadoras da plataforma.
O financiamento permitirá ampliar e fortalecer a RedeAr, com a instalação de 40 novos sensores e a manutenção dos equipamentos já em operação. A expansão priorizará áreas da Amazônia Legal com pouca ou nenhuma cobertura, especialmente regiões afetadas por queimadas.
Embora a Amazônia esteja entre as regiões brasileiras mais afetadas pela poluição provocada pelas queimadas, ainda possui poucos dados terrestres contínuos sobre a qualidade do ar. A lacuna de informações dificulta a identificação de onde, quando e por quanto tempo as populações estão expostas a concentrações elevadas de poluentes, sobretudo em áreas remotas onde vivem povos indígenas, quilombolas e outras comunidades tradicionais.
Por meio da RedeAr, os pesquisadores lançaram um novo sensor nacional, mais barato e adaptado ao clima tropical. Os dispositivos registram a qualidade do ar a cada dois minutos e foram projetados para funcionar mesmo em áreas com conectividade intermitente.
Com a expansão da rede, os dados poderão ajudar comunidades a conhecerem as condições ambientais de seus territórios, apoiar pesquisadores em análises sobre distribuição da poluição e fornecer aos gestores públicos evidências para identificar áreas prioritárias e planejar ações.
“Estamos construindo uma infraestrutura de informação ambiental capaz de aproximar o conhecimento produzido em campo das necessidades dos territórios e da gestão pública. É essa integração que pode fazer do monitoramento uma ferramenta efetiva para a qualidade do ar no país”, finaliza Ribeiro.
Os dados da RedeAr estão disponíveis em redear.org.br.
Estagiária de Comunicação*
