IPAM lança rede e sensor nacional para monitoramento da qualidade do ar

1 de outubro de 2026 | Notícias

out 1, 2026 | Notícias

Por Sara Leal*

 

Avenida Paulista, 5 de setembro de 2024, 15h. A poluição do trânsito faz com que a concentração de poluentes (classificados como material particulado) seja de 31,87 ug (microgramas) por m³ — duas vezes acima do recomendável. No mesmo dia e horário, longe dali, na terra indígena Parque do Aripuanã, em Vilhena (RO), uma nuvem de fumaça surge em meio à vegetação nativa. A concentração de poluentes registada é de 197,32 ug/m³ — 13 vezes acima do recomendável. A fonte? Queimadas e incêndios florestais que se alastraram pela região durante um dos períodos de seca mais críticos do estado.

Para ampliar o monitoramento da qualidade do ar no Brasil, especialmente onde vivem povos e comunidades tradicionais, o IPAM (Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia) lançou a RedeAr, plataforma que disponibiliza dados em tempo real sobre a concentração de material particulado na atmosfera, emitido principalmente por queimadas.

Os pesquisadores da iniciativa desenvolveram um sensor nacional, mais barato, mais resistente e adaptado ao clima tropical. Além da concentração de partículas no ar, o equipamento também coleta uma variedade maior de informações, como temperatura, pressão e umidade.

A exposição ao PM 2.5, material particulado fino associado às queimadas, está relacionada a 4,2 milhões de mortes por ano no mundo, além de doenças cardiovasculares, respiratórias e câncer de pulmão. Em 2024, essas partículas, 30 vezes menores que a espessura de um fio de cabelo, cobriram porções da Amazônia por até 138 dias.

“As pessoas que menos desmatam no Brasil, como povos e comunidades tradicionais, podem estar respirando o pior ar do país. E é justamente nas áreas onde essas populações vivem que temos a maior lacuna de dados sobre poluição”, comenta Filipe Arruda, pesquisador do IPAM e idealizador da RedeAr.

Atualmente, a iniciativa conta com 93 sensores de qualidade do ar instalados em 13 Estados, incluindo todos os da Amazônia Legal e alguns do Cerrado e do Pantanal. A perspectiva é de ampliação para todo o Brasil.

Além de monitorar a qualidade do ar das cidades, a plataforma fornece atualizações frequentes sobre unidades de conservação, áreas rurais e escolas. Os dados podem ser utilizados para apoiar políticas públicas de saúde e meio ambiente, além de esclarecer e engajar a sociedade sobre os impactos do fogo.

“As queimadas geram bilhões em prejuízos por ano. Seja por emissões de carbono, sobrecarga do Sistema Único de Saúde ou paralisação de aeroportos. A previsão de um El Niño potencializado pelo aumento da temperatura é a receita perfeita para mais incêndios. Por isso, a necessidade de uma rede de monitoramento que engaje as comunidades no processo”, afirma Ane Alencar, diretora de Ciência do IPAM.

 

*Coordenadora de Comunicação do IPAM

ODS 3ODS 13

Este projeto está alinhado aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS).

Saiba mais em brasil.un.org/pt-br/sdgs.

Veja também

See also