O combate a incêndios florestais é o principal caminho para reduzir as emissões de metano no setor de Mudanças de Uso da Terra e Florestas, associado a fogo e desmatamento. O metano é um gás do efeito estufa cerca de 28 vezes mais potente que o gás carbônico.
A mensagem compõe o novo caderno de soluções do SEEG (Sistema de Estimativas de Emissões e Remoções de Gases do Efeito Estufa), lançado nesta terça-feira, 18, com recomendações para reduzir o metano nos principais setores emissores.
Clique para ver o caderno “Soluções para Redução das Emissões de Metano no Brasil”.
Em 2024, as emissões de metano por queimadas associadas ao desmatamento chegaram a 1,14 milhões de toneladas, cerca de 6% do total de 21 milhões de toneladas do gás emitidas naquele ano. A agropecuária é o setor que concentra a maior parte (75%) desse montante, principalmente por conta da criação de gado.

Caderno de soluções para reduzir emissão de metano no Brasil foi lançado nesta terça, 18, pela iniciativa SEEG (Reprodução)
Mas quando se fala em emissões de metano por incêndios exclusivamente na vegetação nativa, essas ainda não são consideradas nos inventários oficiais, produzidos por órgãos públicos para divulgar as emissões brasileiras de gases do efeito estufa. Por isso, o SEEG apresenta esse cálculo de forma adicional: essas emissões “não consideradas no inventário” somam mais 1,01 milhões de toneladas de metano emitidas em 2024.
O Brasil é o quarto maior emissor de metano do mundo, atrás apenas de China, Estados Unidos e Índia, segundo o ClimateWatch. Em 2021, na COP26, em Glasgow, o país aderiu ao compromisso global de reduzir 30% das emissões de metano até 2030.
“As metas de redução de emissão de metano têm importante papel no combate ao agravamento das mudanças climáticas. Isso porque o metano é um gás com alto potencial de aquecimento, com 28 vezes mais poder de aquecimento que o CO2, mas também com meia-vida mais curta na atmosfera. Por isso, medidas mitigatórias focadas nesse gás têm o poder de serem de alto e rápido impacto”, explica Bárbara Zimbres, pesquisadora do IPAM (Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia) e do setor de Mudanças de Uso da Terra e Florestas no SEEG.
O documento lançado pelo SEEG apresenta 37 soluções, cinco delas focadas no setor de Mudanças de Uso da Terra e Florestas. A redução do desmatamento e a prevenção de incêndios estão na lista, com destaque para o papel de estados e municípios na gestão do fogo e governança territorial desde a prevenção até o combate.
A expectativa dos especialistas é que a implementação da Política Nacional de Manejo Integrado do Fogo fomente a integração e articulação entre o governo federal, estados e municípios, com atenção também para o licenciamento do uso do fogo na agropecuária.
“Com a recente aprovação da Política Nacional de Manejo Integrado do Fogo e na sequência de eventos de incêndio devastadores em todo o Brasil em 2024, estamos num momento muito favorável para transformar todas as promessas em ação e nos preparar para os potenciais efeitos do El Niño que se inicia. O caderno de Soluções visa resumir essas frentes de ação de forma prática e ajudar entes públicos a priorizar as estratégias mais efetivas”, complementa Zimbres.
Devido a um El Niño forte já consolidado nas águas do Oceano Pacífico, a atenção é redobrada para o risco de incêndios na Amazônia, dado que o fenômeno tende a deixar a região mais seca enquanto agrava episódios de chuva no Sul do país.