Da COP30 a Bonn: organizações defendem MIF como agenda global

17 de junho de 2026 | Notícias

jun 17, 2026 | Notícias

Bonn (Alemanha), 17 de junho de 2026 – Os incêndios florestais deixaram de ser apenas uma emergência ambiental e se tornaram uma fonte relevante de emissões de gases de efeito estufa e uma ameaça crescente à biodiversidade, às comunidades e à estabilidade do clima. Foi com esse diagnóstico que governos, agências da ONU, povos indígenas, sociedade civil e cientistas se reuniram nesta terça-feira (17), em Bonn, na Alemanha, em um evento oficial da SB64 — a conferência climática da ONU que prepara o caminho para a COP31 — dedicado a ampliar o manejo integrado do fogo como solução climática.

Intitulado “From Action to Implementation: Scaling Fire Solutions to Reduce Wildfire Emissions” (“Da ação à implementação: ampliando soluções de manejo do fogo para reduzir emissões de incêndios”), o painel partiu de uma proposta do SOS Pantanal e foi construído em conjunto com o IPAM (Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia), a Uma Gota no Oceano e o Hub Global de Manejo do Fogo, da FAO. O encontro reuniu representantes de governos, de organizações internacionais, de povos indígenas e comunidades locais, da sociedade civil e da comunidade científica.

O debate deu sequência ao principal compromisso firmado no ano passado em torno do tema. Durante a Cúpula do Clima de Belém, às vésperas da COP30, o Brasil lançou o Chamado à Ação pelo Manejo Integrado do Fogo e Resiliência a Incêndios Florestais — documento que conclama os países a substituir a lógica da resposta emergencial por estratégias de prevenção, preparação e uso ecológico do fogo, combinando ciência, tecnologia e os saberes de povos indígenas e comunidades locais. Lançado com a adesão inicial de 50 países, o chamado já é endossado por 67 países e quatro organizações internacionais. Em Bonn, a discussão se voltou justamente para a etapa seguinte: como sair do compromisso e chegar à implementação em escala, antes da COP31, marcada para novembro em Antália, na Türkiye.

 

Foto mostrando uma mulher gesticulando enquanto fala. Presente no texto “O fogo não vê fronteiras. Expandir o monitoramento fortalece a todos”.

Ane Alencar, diretora de Ciência do IPAM, participou do evento (Acervo IPAM)

 

A primeira parte do evento apresentou as tendências globais do fogo e os dados de emissões, ao lado de experiências práticas de manejo conduzidas em diferentes territórios — incluindo iniciativas lideradas por organizações da sociedade civil e por comunidades locais. A segunda parte concentrou-se na cooperação internacional, no papel do Hub Global de Manejo do Fogo e nas oportunidades de financiamento e governança para escalar essas soluções nos próximos anos.

Levar esse debate a um fórum internacional como a SB64 tem um significado estratégico: mostra que o manejo integrado do fogo, muitas vezes construído na ponta, em biomas sob pressão e por quem convive com o fogo no dia a dia, precisa de reconhecimento, financiamento e coordenação global para deixar de ser exceção e se tornar política pública estruturada.

“Trazer a experiência que tivemos no Pantanal nos últimos anos é muito valioso neste cenário global. Mostramos como a integração de quem está no território com o poder público e organizações não governamentais pode surtir efeito prático e escalar para uma política pública que ouve o território”, afirma Gustavo Figueirôa, diretor de Comunicação do SOS Pantanal.

“Não será possível cumprir as metas climáticas globais sem enfrentar o crescente impacto dos incêndios florestais. O fogo já é uma importante fonte de emissões e ameaça algumas das principais soluções e maiores estoques de carbono do planeta. A boa notícia é que já existem soluções: ampliar o Manejo Integrado do Fogo pode reduzir emissões, fortalecer a resiliência do território e proteger comunidades e ecossistemas em todo o mundo”, destaca Ane Alencar, diretora de Ciência do IPAM.

“Comunicar sobre queimadas é fundamental para tornar visíveis seus impactos socioambientais e seu peso no agravamento da crise climática e, sobretudo, para afirmar que sua prevenção não só é possível como urgente e indispensável.”, afirma Maria Paula Fernandes, Diretora Executiva da organização Uma Gota no Oceano.

 

Por SOS Pantanal — Gustavo Figueirôa, Diretor de Comunicação

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