O IPAM (Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia) apresentará esta semana, durante o ATL (Acampamento Terra Livre), em Brasília, o novo sensor que integrará uma nova rede de monitoramento de ar, ainda em desenvolvimento, batizada de RedeAr.
O equipamento, desenvolvido em parceria com a UFPA (Universidade Federal do Pará), estará exposto na tenda da Coiab (Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira). O novo sensor pretende expandir a medição de qualidade do ar, principalmente em territórios indígenas.
“Muitas vezes se tem a falsa ideia de que os indígenas e as pessoas da Amazônia respiram ar puro. Não é isso que vem acontecendo em períodos de seca e de grandes queimadas”, enfatiza Filipe Viegas Arruda, pesquisador do IPAM e responsável pelo desenvolvimento do equipamento.
Nota técnica do IPAM revela que a qualidade do ar na Amazônia Legal em 2024 foi classificada como péssima em períodos de eventos climáticos de seca extrema. Foram 138 dias de ar nocivo à saúde em estados da Amazônia. Na região, a poluição tem origem nas queimadas de florestas e para limpeza de pastos. Em cidades como São Paulo, por exemplo, o ar fica mais poluído pela queima de combustíveis de automóveis.
O novo sensor é mais robusto, nacional, de baixo custo e é capaz de medir a cada dois minutos os índices de poluição, umidade e temperatura. A estrutura é protegida da entrada de insetos e é capaz de medir material particulado muito fino (PM 2.5), de 0,002 milímetros, equivalente a 10 vezes um fio de cabelo, por exemplo.
“Esse material tem a capacidade de entrar nas vias respiratórias, atingir os pulmões, os alvéolos, misturar com a corrente sanguínea e a longo prazo trazer uma grande decorrência de problemas de saúde, doenças respiratórias e cardiovasculares”, exemplifica Arruda.
A ideia é que, com a expansão da rede de monitoramento em comunidades indígenas, possa ser feito o cruzamento de dados de medição com índices de atendimento de doenças respiratórias, feitos pela SESAI (Secretaria Nacional de Saúde Indígena) e do Telesaúde, do programa Conexão Povos da Floresta.
Monitoramento em tempo real
Durante o ATL, o sensor importado da rede PurpleAir fará o monitoramento em tempo real das condições do ar, além de exibir imagens de satélite das condições em áreas indígenas.
O Brasil tem aproximadamente 570 estações de monitoramento da qualidade do ar: 377 são estação de referência, a maioria na Região Sudeste; 203 são estações de baixo custo que várias instituições, inclusive o IPAM, conseguiram distribuir em diversas regiões da Amazônia Legal; e apenas 12 estão em territórios indígenas.
“Existe uma grande dificuldade de se manter esses sensores funcionando em terras indígenas porque exigem infraestrutura de internet. Em parceria com o Conexão Povos da Floresta, temos hoje cerca de 2,3 mil comunidades com energia e internet. Então a gente busca ampliar essa rede utilizando a Rede Ar por várias dessas comunidades”, afirmou o pesquisador do IPAM.
Segundo dados da OMS (Organização Mundial de Saúde), quem vive na Amazônia pode perder até três anos de expectativa de vida devido à péssima qualidade do ar.
A Política Nacional de Qualidade do Ar, em vigor desde 2024, obriga estados e municípios a fazerem relatórios mensais e anuais de qualidade do ar.


