Seminário destaca protagonismo feminino na Amazônia

31 de março de 2026 | Notícias

mar 31, 2026 | Notícias

Suellen Nunes*

Para evidenciar o papel central das mulheres na construção de uma economia amazônica que alia conservação ambiental e desenvolvimento social, o IPAM (Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia) realizou, nos dias 27 e 28 de março, o seminário “Mulheres do campo, das águas e das florestas: economia sustentável, geração de renda, segurança e soberania alimentar nas Amazônias”, em Belém (PA).

Os temas centrais do evento foram os empreendimentos de mulheres, com foco em redes, cooperativas e agroindustrialização; os direitos das mulheres no acesso à terra; e as múltiplas violências que impactam suas vidas, especialmente no contexto doméstico.

Participaram agricultoras, extrativistas, pescadoras, artesãs, pesquisadoras e representantes de coletivos urbanos e rurais, promovendo a troca de saberes entre iniciativas individuais e comunitárias, além do fortalecimento de redes femininas Inter territoriais e da ampliação da visibilidade de iniciativas sustentáveis lideradas por mulheres.

“Criar espaços que, além de celebrar o papel da mulher, promovam a reflexão é, sem dúvida, muito importante. As mulheres têm avançado na conquista desses espaços, mas o processo ainda é lento. Ao reunir a diversidade de representantes de diferentes territórios, ampliamos a nossa percepção e damos visibilidade aos desafios que ainda existem, sejam eles comuns ou específicos, para que elas sejam, de fato, protagonistas”, explicou Elisangela Trzeciak, pesquisadora e coordenadora regional Transamazônica e Xingu do IPAM.

As mulheres no campo enfrentam desafios diários que vão desde a sobrecarga de trabalho até a dificuldade de acesso a recursos, políticas públicas e reconhecimento. Ainda assim, desempenham um papel fundamental na produção de alimentos, na organização das comunidades e na preservação de saberes tradicionais.

“Considero muitas coisas importantes em um evento como esse, mas o principal é reunir a diversidade de mulheres. Quando você tem quilombolas, indígenas, agricultoras familiares e ribeirinhas, isso não passa despercebido. Esse é um momento de reflexão, mas também de consolidação de ações, inclusive da luta por políticas públicas”, contou a diretora da FETAGRI (Federação dos Trabalhadores Rurais, Agricultores e Agricultoras familiares do Estado do Pará), Ângela de Jesus.

Ao longo da programação, foram debatidas estratégias para fortalecer a geração de renda e garantir a segurança e soberania alimentar de famílias que vivem em áreas de floresta, campos e águas das Amazônias.

“Esse encontro das redes de mulheres fortalece a geração de renda a partir do campo e contribui para a melhoria da qualidade de vida da população indígena, não indígena e de diversos outros grupos. Sabemos que as mulheres são as que mais contribuem para a geração de renda, e esse apoio é fundamental para garantir o direito a políticas públicas que fortaleçam nossa luta e beneficiem as mulheres. Fazer parte dessa conversa é urgente”, explica a representante da FEPIPA (Federação dos Povos Indígenas do Pará), Concita Sompre.

O seminário é uma realização do IPAM, com a FETAGRI (Federação dos Trabalhadores Rurais, Agricultores e Agricultoras familiares do Estado do Pará), EMATER (Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural), e SEAF (Secretaria de Estado da Agricultura Familiar). Em parceria com a FETRAF-PARÁ (Federação dos Trabalhadores e Trabalhadoras na Agricultura Familiar), MALUNGU (Coordenação das Associações das Comunidades Remanescentes de Quilombos do Pará) e CNS (Conselho Nacional das Populações Extrativistas), apoiado pela Hydro.

Analista de Comunicação do IPAM*.



Este projeto está alinhado aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS).

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