Suellen Nunes*
No Pará, mulheres agricultoras estão transformando seus territórios por meio da agrofloresta. A RAMA (Rede de Apoio a Mulheres Agroflorestoras) articula produtoras rurais que atuam do plantio à comercialização, fortalecendo a autonomia feminina e promovendo práticas sustentáveis na Amazônia.
Para Iêda Rivera, uma das responsáveis pelo projeto, a iniciativa surge da necessidade de dar visibilidade ao trabalho das mulheres do campo e de garantir condições mais justas de produção e geração de renda.tegrar questões de gênero, raça e classe, a rede amplia o acesso à assistência técnica, à formação continuada e a oportunidades de financiamento.

“Nós somos um movimento coletivo, em que as pessoas se reúnem para implantar sistemas agroflorestais nas propriedades, utilizando culturas que já fazem parte da nossa realidade local. Isso mostra que fazer agrofloresta faz sentido para o nosso território e também para o clima, porque produzimos alimento, recuperamos áreas e fortalecemos a floresta ao mesmo tempo”, afirma Iêda.
Nos sistemas agroflorestais, as agricultoras combinam culturas agrícolas com espécies arbóreas nativas, recuperando áreas degradadas e diversificando a produção. O modelo contribui para a segurança alimentar das famílias, para a conservação da biodiversidade e para a mitigação das mudanças climáticas.
Além dos impactos ambientais positivos, a RAMA fortalece redes de apoio e troca de saberes entre mulheres, estimulando liderança, protagonismo e participação nas decisões sobre o uso da terra. Ao valorizar conhecimentos tradicionais e práticas agroecológicas, a rede demonstra que justiça social e conservação ambiental caminham juntas.

“O que temos feito com muita força são os mutirões agroflorestais, inclusive aqui na minha propriedade. Só neste Carnaval realizamos dois dias de mutirão na região metropolitana de Belém; houve também uma ação em Cotijuba e agora estamos levando a iniciativa para o Marajó, além de municípios como Mãe do Rio e Primavera”, finaliza Iêda.
Iniciativas como a RAMA evidenciam que investir nas mulheres é investir no futuro da floresta e que enfrentar a crise climática passa, necessariamente, pelo reconhecimento e fortalecimento de quem já cuida da terra todos os dias. Para saber mais sobre a rede de apoio, procure por @rama.agroflorestoras, no Instagram.
Analista de comunicação do IPAM*.



