Suellen Nunes*
O Pará possui o segundo maior rebanho bovino do Brasil, com 25,6 milhões de cabeças em 2024, o equivalente a 10,7% do total nacional, segundo o IBGE. Nesse cenário, o “Programa Pecuária Sustentável do Pará” surge como uma iniciativa que reúne esforços dos setores público e privado para promover uma produção mais eficiente e transparente.
Nos dias 30 e 31 de março, o IPAM (Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia) realizou o seminário “Dois anos do Programa Pecuária Sustentável no Pará: avanços e desafios para a agricultura familiar”. O encontro reuniu diferentes atores da cadeia para disseminar aprendizados e contribuir para a construção de recomendações, visando fortalecer o programa estadual do setor.
“Nosso principal objetivo é refletir os avanços e desafios vinculados aos três eixos principais ligados ao programa: rastreabilidade; integridade Socioambiental; e fortalecimento e Agregação de Valor, especialmente na agricultura familiar. Ao longo desses dois anos, realizamos diversos eventos e estudos que serão avaliados para indicar caminhos para que o governo do Estado e demais apoiadores, tanto do poder público, quanto da sociedade civil, possam avançar nesse programa de desenvolvimento que alia produção e conservação”, explica Edivan Carvalho, pesquisador e coordenador do IPAM no Pará.
Nas últimas duas décadas, a atividade pecuária apresentou crescimento contínuo no Pará, com expansão de 148% entre 2000 e 2024. Parte dessa produção está vinculada à agricultura familiar, que concentra cerca de 31,4% do rebanho bovino paraense. Os agricultores familiares do estado lideram a produção de leite no Estado, com estabelecimentos majoritariamente de até 200 hectares, responsáveis por aproximadamente 75% das vacas ordenhadas.
Para Ângela de Jesus, diretora executiva do IDESA (Instituto de Desenvolvimento Econômico e Social da Amazônia) o programa ajuda a multiplicar informações sobre pecuária e sustentabilidade. “É fundamental que possamos chegar às nossas bases da agricultura familiar para que caminhem lado a lado, a partir da qualificação e na rastreabilidade. Esse momento converge com todas as lideranças que estão engajadas nessas ações de práticas sustentáveis na nossa pecuária”.
O projeto completou dois anos de implementação no final de 2025. Nesse período, foram construídos acordos e aprimoradas estratégias voltadas aos principais desafios e oportunidades para a consolidação de uma pecuária sustentável no estado.
“Hoje é um momento de definição dos próximos passos no projeto da pecuária sustentável no Pará, e aqui vamos discutir com a agricultura familiar o que faremos nesses próximos dois anos. Já tivemos muitas conquistas que promoverão a pecuária do nosso Estado”, conta Bárbara Lopes, médica veterinária da ADEPARÁ (Agência de Defesa Agropecuária do Estado do Pará).
Planejando os próximos passos até 2027
Para os próximos dois anos, a iniciativa pretende avançar na consolidação das estratégias desenvolvidas, ampliando a adesão de produtores e fortalecendo os mecanismos de monitoramento, rastreabilidade e valorização da produção sustentável.
“Antes, tudo era muito voltado ao produtor rural, e o agricultor familiar ficava à margem, sem se identificar nesse lugar. Com o acompanhamento, passamos a entender melhor essa realidade e a oferecer apoio. Hoje, o programa é importante porque ajuda o agricultor a se reconhecer como produtor, a entender sua atividade e a acessar esse espaço, mesmo diante das dificuldades e da burocracia da legislação ambiental”, conta Rafaela Bitencourt, agricultora familiar no município de Curuçá.
Durante o seminário, o público teve como objetivo definir estratégias de ação, identificar gargalos e propor soluções para as iniciativas previstas até 2027. Ao todo, 93 participantes estiveram envolvidos no processo, contribuindo ativamente na validação ou contestação de cada proposta apresentada.
Cada grupo ficou responsável por debater um eixo específico do programa, aprofundando discussões sobre os principais desafios enfrentados em suas respectivas áreas. A partir desse exercício coletivo, foram elaboradas soluções alinhadas à realidade dos territórios. Por votação, os participantes expressaram seu nível de concordância com as propostas construídas, fortalecendo um processo participativo, transparente e orientado para a construção de estratégias mais eficazes e aderentes às demandas locais.
A atividade é uma realização do IPAM, SEAF (Secretaria de Estado da Agricultura Familiar), SEMAS (Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Sustentabilidade), ADEPARÁ (Agência de Defesa Agropecuária do Estado do Pará), FETAGRI (Federação dos Trabalhadores Rurais, Agricultores e Agricultoras familiares do Estado do Pará), e SEAF (Secretaria de Estado da Agricultura Familiar); em parceria com a FETRAF-PARÁ (Federação dos Trabalhadores e Trabalhadoras na Agricultura Familiar), e apoio do ICS (Instituto Clima e Sociedade), da TNC (The Nature Conservancy) e do NICFI (Iniciativa Internacional para o Clima e as Florestas da Noruega).
Analista de comunicação do IPAM*.



