Livro revela potencial da bioindústria para a Amazônia

2 de abril de 2026 | Notícias

abr 2, 2026 | Notícias

Suellen Nunes*

A busca por caminhos que conciliam desenvolvimento econômico e conservação da floresta ganha destaque no livro “Bioindústrias na Amazônia: contribuições para o desenvolvimento sustentável na Amazônia Legal”, que foi entregue pelo IPAM (Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia) a representantes da ABDI (Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial) nesta quinta-feira (2), em Brasília.

A publicação, que tem lançamento oficial previsto para maio, é uma parceria entre as duas instituições e reúne um diagnóstico aprofundado com dados, análises e reflexões sobre o uso sustentável da biodiversidade, apontando possibilidades para fortalecer cadeias produtivas e valorizar os saberes das comunidades locais.

As bioindústrias se inserem em um modelo produtivo que tem como base o uso de recursos da biodiversidade, como plantas, sementes e outros insumos naturais, para a produção de alimentos, cosméticos, fármacos e outros produtos de valor agregado.

O livro é resultado de pesquisa que mapeou empreendimentos, cadeias produtivas e diversas áreas de território da bioindústria na Amazônia Legal, combinando dados, visitas de campo e diálogos com comunidades, pesquisadores e gestores.

Para Gabriela Savian, diretora de Políticas Públicas do IPAM, a bioindústria na Amazônia não parte do zero — ela já existe, está distribuída nos territórios e envolve milhares de empreendimentos e quase um milhão de pessoas, como levantado pelo estudo. “O livro evidencia que o principal desafio não é criar novas iniciativas, mas dar condições para que essas experiências ganhem escala, agreguem mais valor local e se conectem a uma estratégia de desenvolvimento mais estruturada”, aponta.

A publicação traz uma definição de bioindústria adaptada à Amazônia, destacando a sustentabilidade, a valorização dos conhecimentos tradicionais e apontando desafios, como a falta de infraestrutura, além de sugerir ações para fortalecer o setor.

“Os dados e análises apresentados reforçam que a bioindustrialização precisa ser tratada como uma agenda integrada de política pública, articulando inovação, financiamento, infraestrutura e conservação. Quando bem coordenada, ela tem potencial não apenas de gerar renda e emprego, mas de reposicionar a Amazônia como parte central da economia do futuro, alinhada à transição ecológica “, afirmou Savian.

A bioindústria na Amazônia está diretamente ligada ao reconhecimento do papel das populações amazônicas na gestão desses recursos. Ao valorizar conhecimentos tradicionais e práticas locais, esse modelo contribui para ampliar a participação de comunidades na economia, ao mesmo tempo em que fortalece estratégias de conservação e uso responsável da biodiversidade.

“É uma grande honra ver a ABDI nessa parceria com o IPAM, entregando à sociedade e às instituições, representadas pelo vice-presidente da República, pelos bancos financiadores e por demais organizações, um produto com um nível de profundidade inédito sobre a bioindústria da Amazônia. Recursos para a bioindústria existem. O que estamos apresentando é onde ela está, quais são os gargalos e quais são suas potencialidades, para que possamos promover cada vez mais desenvolvimento para a Amazônia, sempre com olhar atento e respeito à floresta”, afirmou Perpétua Almeida, diretora de sustentabilidade da ABDI.

Estudos e iniciativas recentes, como o mapeamento de empreendimentos ligados à sociobiodiversidade realizados pela ABDI e o IPAM, apontam a necessidade de criar ambientes favoráveis para que essas cadeias produtivas gerem renda, inclusão social e respeito aos territórios, mostrando que a bioeconomia pode ser um vetor de crescimento alinhado à conservação ambiental no bioma amazônico.

Analista de comunicação do IPAM*.



Este projeto está alinhado aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS).

Saiba mais em brasil.un.org/pt-br/sdgs.

Veja também

See also