Para o IPAM (Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia), a entrada do Brasil na OPEP+, anunciada nesta terça-feira (18), insiste em um erro que mancha a reputação do país no ano em que este sediará a COP30 em Belém.
“O Brasil insiste em caminhos opostos em um momento no qual deveria liderar pelo exemplo, manchando sua reputação na COP30. Investir em petróleo é atrasar o desenvolvimento nacional inteligente. Pior: é jogar tempo e dinheiro naquilo que vai nos matar. É uma surpresa negativa para todos os que confiam no Estado brasileiro para conduzir uma transição justa e para longe da exploração fóssil – necessárias se quisermos sobreviver nesta Terra”, diz André Guimarães, diretor executivo do IPAM.
Além de aceitar integrar a aliança com grandes produtores de petróleo do mundo, o Brasil protagoniza um momento de pressão política para a liberação de estudos sobre a exploração de petróleo na Bacia da Foz do Amazonas.
“Há alternativas à exploração petroleira, inclusive já adotadas pelo Brasil. O país tem sua matriz energética majoritariamente renovável, na qual deve-se investir para que seja limpa de impactos socioambientais, além de buscar soluções para fonte de energia em biocombustíveis”, acrescenta Guimarães.
Os passos na contramão do equilíbrio climático global ocorrem depois do ano mais quente da história da humanidade e o primeiro a ultrapassar 1,5°C acima da temperatura média global antes do surgimento da indústria.
A entrada na OPEP+ contradiz os compromissos climáticos assumidos pelo Brasil e a busca pela liderança da agenda junto aos demais países na apresentação de maiores ambições para as metas climáticas nacionais. É, ainda, incoerente com os esforços nacionais em andamento nos planos estratégicos de clima, transformação ecológica e transição energética.
“O ano de 2024 foi marcado por eventos climáticos extremos no Brasil e no mundo, causando mortes evitáveis. Acontecimentos como estes só irão diminuir se as políticas nacionais e internacionais se voltarem para a energia limpa, para o desmatamento zero e para a agropecuária de baixo carbono”, finaliza o diretor.
Foto de capa: Plataforma de petróleo destinada ao Sistema de Produção do Campo de Lula, no pré-sal da Bacia de Santos (Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil)