Por Mayara Subtil e Nikole Cantoara*
As emissões brutas de gases de efeito estufa associadas às mudanças no uso da terra, principalmente ao desmatamento, caíram 15% no Brasil em 2025. O total passou de 957 milhões de toneladas de CO₂ equivalente, em 2024, para 814 milhões no ano passado. Os dados são da 14ª coleção do SEEG (Sistema de Estimativas de Emissões de Gases de Efeito Estufa), divulgada nesta quarta-feira (21).
O SEEG é uma iniciativa do Observatório do Clima que produz estimativas anuais das emissões brasileiras de gases de efeito estufa. O IPAM (Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia) é responsável, no âmbito da iniciativa, pelos dados do setor de Mudança de Uso da Terra e Florestas.
O levantamento revela que a redução foi registrada em todos os biomas brasileiros. Na Amazônia, as emissões por mudanças no uso da terra caíram 20%, enquanto no Cerrado a queda foi de 5%. Juntos, os dois biomas concentraram 63% das emissões provocadas pela destruição da vegetação nativa no país.
A queda também foi registrada no Matopiba, região formada por Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia, que concentra parte da expansão agropecuária no Cerrado. Entre 2023 e 2025, Tocantins e Bahia apresentaram reduções de 56% e 51% nas emissões brutas, respectivamente, ao passo que Maranhão e Piauí também registraram queda no período. Nos demais biomas, as emissões recuaram 45% no Pantanal, 21% no Pampa, 18% na Caatinga e 5% na Mata Atlântica.
Apesar da redução, o setor de Mudança de Uso da Terra e Florestas segue sendo o principal vetor de emissões no Brasil, responsável por 39% do total registrado em 2025. Em 2024, essa participação era de 44%.
“A redução das emissões observada nos últimos três anos no setor de mudança do uso da terra reflete os resultados positivos das políticas de controle do desmatamento no Brasil. Essa é a principal mudança recente no perfil de emissões do país e a que mais contribui, atualmente, para o cumprimento das metas estabelecidas em sua NDC”, afirma Bárbara Zimbres, pesquisadora do IPAM e do setor de Mudanças de Uso da Terra e Florestas no SEEG.
Na comparação com 2022, as emissões brutas do setor diminuíram 46%, passando de 1,5 bilhão para 841 milhões de toneladas equivalente. A redução contribuiu para a queda de 6% nas emissões brutas nacionais em 2025, que atingiram o menor patamar desde 2018.
Trajetória de redução do desmatamento
A diminuição das emissões está relacionada à redução do desmatamento, já que a remoção da vegetação nativa libera parte do carbono armazenado na biomassa. Dados do PRODES (Projeto de Monitoramento do Desmatamento da Amazônia Legal e de Outros Biomas por Satélite), sistema oficial do INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), que monitora e calcula as taxas anuais de desmatamento por corte raso da vegetação nativa, mostram que essa tendência de redução continuou entre agosto de 2025 e julho de 2026, período de referência do levantamento mais recente.
Na Amazônia, a taxa de desmatamento caiu 41,8%, alcançando o menor índice da série histórica. No Cerrado, a redução foi de 23,8%, também atingindo a menor taxa desde o início do monitoramento do bioma. Para o IPAM, os resultados reforçam a necessidade de manter e fortalecer as políticas de prevenção e controle do desmatamento para conservar a vegetação nativa e avançar no cumprimento das metas climáticas.
Redução por queimadas
O SEEG também identificou redução das emissões provocada por queimadas não relacionadas ao desmatamento em 2025, após o recorde registrado em 2024. Calculadas separadamente pelo sistema, essas emissões não integram o Inventário Nacional de Emissões.
Em 2024, as emissões por essas queimadas correspondiam a quase o dobro das emissões líquidas nacionais. Em 2025, esse tipo de emissão caiu para 42%, em um ano sem a ocorrência do El Niño.
Enquanto as emissões brutas por mudança do uso da terra registraram queda, outros setores apresentaram variações menores. As emissões da agropecuária permaneceram praticamente estáveis, com redução de 0,1%, enquanto energia, processos industriais e resíduos registraram aumentos de 1,2%, 0,2% e 3,6%, respectivamente.
A diferença mostra que a redução das emissões nacionais ainda depende fortemente do desempenho do setor de mudança do uso da terra. Para avançar nas metas de 2030 e 2035, o país também precisará reduzir as emissões de atividades como agropecuária, energia e transportes.
*Analista de comunicação do IPAM. mayara.barbosa@ipam.org.br
*Estagiária de comunicação do IPAM. nikole.cantoara@ipam.org.br


