Suellen Nunes*
O “Coletivo Mirí”, do nordeste do Pará, tem mostrado como a mobilização comunitária, liderada por jovens, pode gerar impactos concretos na conservação ambiental. Formado por moradores de Castanhal, o grupo atua na proteção do município e do Igarapé Mirí por meio de ações de educação ambiental, com objetivo de provocar práticas sustentáveis na região.
A partir de iniciativas que integram cultura, arte e conscientização, o projeto desenvolve ações como o incentivo de atividades educativas com moradores, buscando reduzir impactos ambientais e estimular a conscientização da comunidade sobre os recursos naturais.
Como estratégia de fortalecimento da identidade local, o coletivo também utiliza expressões culturais do território, como o boi-bumbá, de forma integrada às ações socioambientais. Batizado de“Boi Mirí”, um espetáculo acontece anualmente, reunindo moradores de diferentes idades, abordando temas ligados ao meio ambiente e à realidade da comunidade.
Para Thalya Silva, coordenadora de projetos do coletivo, o Mirí nasceu do vínculo profundo de seus integrantes com o território e da preocupação com as mudanças observadas ao longo do tempo. “Vemos a degradação dos igarapés e a perda da memória biocultural. Diante desse cenário, nos organizamos com o objetivo de não apenas observar essas transformações, mas atuar diretamente na proteção do ambiente e no fortalecimento da comunidade”.
Protagonismo jovem fortalece o território

Outra frente é a formação de jovens como agentes de transformação. Por meio de oficinas, encontros e atividades educativas, crianças e adolescentes são incentivados a assumir um papel ativo dentro da comunidade. A proposta é que deixem de ser apenas participantes e passem a atuar como multiplicadores de práticas sustentáveis.
“Aos poucos notamos que os adolescentes e jovens estão participando mais das atividades, se envolvendo nas ações e assumindo um compromisso na comunidade. Um exemplo que me marcou é a entrada de um dos nossos membros na universidade. Isso mostra como esse trabalho tem impactado a vida deles, abrindo novos caminhos e possibilidades, além de servir de inspiração para outros que também começam a acreditar que podem chegar lá”, explicou Thalya.
Para a coordenadora, os principais desafios para a proteção do igarapé Mirí estão relacionados às transformações no uso da terra e à mobilização comunitária. “Vemos um aumento do desmatamento, especialmente nas áreas de nascente, pelo avanço do agronegócio, comprometendo diretamente o equilíbrio ambiental do território. Ao mesmo tempo, o contexto social tem tornado mais complexa a participação dos moradores, já que o crescimento de posturas mais conservadoras dificulta o engajamento em ações coletivas e no diálogo sobre a importância do cuidado com o território”.

Reconhecimento e vontade de continuar
Em 2023, Thalya foi a única jovem da região Norte a ser selecionada para concorrer ao prêmio Jovem Transformador 2023, da ONG internacional Ashoka, presente em mais de 100 países.
“O reconhecimento do nosso trabalho fortalece o que estamos fazendo, mostra que estão nos enxergando para além da comunidade. Isso abre novos caminhos e passamos a ter mais visibilidade, facilitando o acesso a parcerias e oportunidades. Continuamos com o mesmo compromisso com a comunidade, principalmente com mulheres, adolescentes e jovens”, concluiu.
Para conhecer mais sobre o Mirí ou entrar em contato basta procurar por @somosmiri nas redes sociais.
Analista de Comunicação do IPAM*.


