IPAM participa de encontro Brasil–China sobre florestas, segurança alimentar e financiamento da natureza

14 de setembro de 2026 | Notícias

set 14, 2026 | Notícias

O IPAM (Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia) participou, nos dias 13 e 14 de setembro, em Hangzhou, na China, do 2º Simpósio Brasil–China sobre Florestas e Natureza. O encontro organizado em parceria com a Universidade de Jiliang e o Pnuma (Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente) reuniu pesquisadores, representantes de governos, instituições financeiras, empresas e organizações internacionais para aprofundar a cooperação entre os dois países em temas como proteção florestal, biodiversidade, segurança alimentar, agricultura sustentável, financiamento e implementação de políticas públicas. A edição de 2026 deu continuidade ao primeiro simpósio, realizado em Brasília, em 2025, e buscou avançar do diálogo para ações concretas de cooperação.

André Guimarães, diretor executivo do IPAM, participou de diferentes momentos da programação. Na abertura, ele fez uma retrospectiva da trajetória entre o encontro de Brasília e a edição de Hangzhou, destacando a evolução da agenda bilateral. Guimarães também participou do painel que discutiu o que a atual década de ultrapassagem da meta de 1,5°C exige da cooperação entre Brasil e China. No segundo dia, apresentou a palestra sobre uso da terra, agricultura sustentável e proteção florestal, abordando o papel da natureza na produção de alimentos e das florestas para a resiliência da agricultura e a segurança alimentar diante do agravamento das mudanças climáticas.

A relação entre florestas, segurança alimentar e comércio agrícola Brasil–China também esteve no centro dos debates. Moderado por André Guimarães, o painel reuniu especialistas para discutir como ampliar a resiliência da produção e do comércio de alimentos sem aumentar a pressão sobre florestas e biodiversidade. Entre os temas abordados estiveram a dinâmica do desmatamento e da expansão agrícola, a rastreabilidade das cadeias produtivas, a demanda chinesa por soja, os padrões de sustentabilidade no comércio bilateral e a transição da agricultura tropical para modelos regenerativos e orgânicos.

“Ultrapassamos a barreira de 1,5º da temperatura, mas isso não é o fim do Acordo de Paris. Quanto mais rápido agirmos, mais rápido voltaremos ao eixo. Para isso temos que cooperar, e o Brasil e a China são dois atores naturais desse processo: dois grandes lideres do sul global que precisam trabalhar juntos”, afirmou Guimarães durante o evento.

A programação foi organizada em três eixos: finanças; ciência; e políticas públicas e implementação. Além dos debates sobre financiamento para proteção e restauração florestal, mercados de carbono, compensação ecológica e investimentos, o encontro promoveu discussões para a construção de uma agenda científica conjunta e identificou oportunidades de intercâmbio, projetos-piloto e ferramentas que poderão ser desenvolvidos pelos dois países. O encerramento consolidou prioridades para o programa de trabalho 2026–2027 do Centro de Desenvolvimento Sustentável China–Brasil e definiu mensagens a serem levadas às agendas da COP17 da Convenção sobre Diversidade Biológica, que ocorre em outubro na Mongólia, e da COP31, da Convenção do Clima, que será em novembro em Antalya, na Turquia.

Para o IPAM, o simpósio reforçou a importância de aproximar ciência, políticas públicas, financiamento e setor produtivo para enfrentar desafios que conectam diretamente a conservação das florestas à produção de alimentos e ao desenvolvimento econômico. A cooperação entre Brasil e China foi destacada como uma oportunidade para combinar conhecimento científico, experiências de implementação e instrumentos financeiros capazes de promover paisagens produtivas mais resilientes e reduzir a pressão sobre os ecossistemas.

ODS 13

Este projeto está alinhado aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS).

Saiba mais em brasil.un.org/pt-br/sdgs.

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