Por Mayara Subtil*
O pacote de ações anunciado na última semana pelo governo federal para fortalecer a proteção ambiental e impulsionar a recuperação de áreas degradadas no Brasil reúne iniciativas voltadas à conservação dos biomas, à prevenção de incêndios florestais e à restauração da vegetação nativa. Entre elas está a assinatura de contratos para novos projetos de recuperação ambiental, a exemplo de uma iniciativa que amplia a atuação do IPAM (Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia) na restauração de paisagens em Mato Grosso.
O pacote federal reúne ações como a criação e ampliação de unidades de conservação, medidas de prevenção e combate aos incêndios florestais e iniciativas para acelerar a recuperação da vegetação nativa. Entre essas ações está o Restaura Amazônia, programa do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), com recursos do Fundo Amazônia, voltado à recuperação ecológica e ao fortalecimento da cadeia produtiva da restauração no Arco da Restauração.
No âmbito desse programa, a FBDS (Fundação Brasileira para o Desenvolvimento Sustentável) lançou chamadas para apoiar iniciativas de restauração. Entre os projetos selecionados está o Cabeceiras do Rio Cuiabá: integrando conservação, restauração e produção, que amplia a atuação do IPAM na recuperação de áreas degradadas em Mato Grosso. A meta é fortalecer a restauração de paisagens alteradas e envolver agricultores familiares e outros atores locais na construção de uma cadeia da restauração mais estruturada e sustentável.
“O IPAM vem promovendo ações de restauração de paisagens alteradas no estado de Mato Grosso há mais de uma década, fazendo um esforço contínuo de trabalhar com agricultores familiares e outros parceiros tanto na implantação de áreas restauradas quanto no fortalecimento da cadeia da restauração. A aprovação desse projeto e a assinatura do contrato representam um passo muito positivo, permitindo ampliar essa atuação e levar os benefícios da restauração para muito mais agricultores”, afirmou Lucimar Souza, diretora de Territorial do IPAM.
Arco da Restauração
O Restaura Amazônia integra uma estratégia mais ampla estruturada pelo BNDES para transformar o antigo Arco do Desmatamento em um Arco da Restauração, apoiando projetos que conciliem recuperação ambiental, geração de renda e fortalecimento das economias locais.
A iniciativa prevê investimentos em restauração ecológica e sistemas agroflorestais, fortalecendo uma cadeia produtiva voltada à geração de empregos verdes e ao desenvolvimento sustentável na Amazônia Legal. Com isso, busca converter uma região historicamente pressionada pelo avanço do desmatamento em um corredor de recuperação florestal, capaz de conciliar conservação ambiental, produção sustentável e geração de renda para as comunidades locais.
As chamadas coordenadas pela FBDS apoiam iniciativas de restauração ecológica e produtiva, com foco em espécies nativas, sistemas agroflorestais e no fortalecimento da cadeia da restauração, incluindo viveiros, redes de sementes e assistência técnica.
O Restaura Amazônia também integra a estratégia nacional de ampliação da recuperação da vegetação nativa e de implementação das metas do Planaveg (Plano Nacional de Recuperação da Vegetação Nativa). A iniciativa considera que restaurar florestas vai além da recomposição da cobertura vegetal, contribuindo para a conservação da biodiversidade, a proteção dos recursos hídricos, a adaptação às mudanças climáticas e a geração de oportunidades econômicas para as populações locais.
Pacote de ações
O conjunto de medidas anunciado pelo governo federal também prevê ações para fortalecer a prevenção e o combate aos incêndios florestais, por meio da simplificação e da ampliação do acesso aos recursos do Fundo Nacional do Meio Ambiente por estados e municípios. A iniciativa busca antecipar a preparação para eventos climáticos extremos e ampliar a capacidade de resposta dos entes federativos diante do aumento do risco de queimadas.
Também foram anunciados R$ 2 bilhões para ações do Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) e do ICMBio (Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade) e a destinação de R$ 834 milhões do Fundo Clima para financiar projetos de restauração da vegetação nativa apresentados por empresas e organizações da sociedade civil. A expectativa é que os investimentos fortaleçam a recuperação florestal e ampliem a participação de diferentes atores na agenda de conservação e desenvolvimento sustentável.
O IPAM desenvolve iniciativas voltadas à ampliação da restauração na Amazônia. Em diferentes regiões do bioma, o Instituto atua no fortalecimento de sistemas agroflorestais e da agricultura familiar como estratégias capazes de recuperar áreas degradadas, gerar renda e aumentar a resiliência das paisagens diante das mudanças climáticas.
*Analista de comunicação do IPAM. mayara.barbosa@ipam.org.br

