|
:: Programa - Manejo de Várzea - Políticas
Pesqueiras
Políticas Pesqueiras para a Gestão Participativa
dos Recursos Naturais da Várzea
Nos últimos anos, o Governo Federal vem desenvolvendo
uma política ambiental na qual a gestão ambiental é mais descentralizada
e mais participativa. O problema é que ainda não existem, em nível
municipal, instituições capazes de implementar esse novo modelo
de gestão ambiental. Para atender a essa carência, o Projeto está
trabalhando para fortalecer as estruturas institucionais em nível
local e municipal, a fim de assegurar uma gestão ambiental que seja
participativa e baseada no uso sustentável dos recursos naturais
da região.
Planejamento Estratégico Ambiental do Município
de Santarém
O Projeto Várzea, em parceria com a COSAMA - Coordenadoria
Municipal de Saneamento e Meio Ambiente, organizou uma oficina de
Planejamento Ambiental Participativo e Estratégico, com o objetivo
de avaliar a situação ambiental do município e desenvolver uma estratégia
de ação. Mais de 30 organizações governamentais e não governamentais
participaram da oficina em que foi elaborado o Plano Ambiental de
Santarém. O Plano prevê ações para fortalecer a atuação do município
em quatro áreas: a) Política, Legislação e Fiscalização; b) Poluição
Ambiental; c) Áreas de Conservação e Lazer; d) Utilização dos Recursos
Naturais. Este plano é importante porque trata a questão ambiental
do município de forma sistemática e abrangente, e também porque
representa o primeiro passo na criação da estrutura institucional
necessária para viabilizar a gestão participativa em nível municipal.
Encontro de pescadores no Io Fórum de
Pesca do Município de Santarém |
O Primeiro Fórum Municipal de Pesca de Santarém
Uma das prioridades do plano ambiental, acima explicado,
foi a organização da gestão da pesca em nível municipal. Com essa
finalidade, o Projeto Várzea, em parceria com a Colônia de Pescadores
Z-20, a COSAMA, o Projeto Iara-IBAMA e o Conselho Pastoral dos Pescadores,
organizou o I Fórum de Pesca do Município de Santarém. O Fórum foi
o grande passo inicial ao desenvolvimento das políticas e instituições
necessárias para viabilizar a gestão participativa dos recursos
pesqueiros da região. Tinha como objetivos avaliar a situação da
pesca em Santarém, discutir propostas, e definir diretrizes para
o manejo dos recursos pesqueiros do município.
Participaram 100 representantes de mais de 50 comunidades
da região de várzea do município, de organizações da sociedade civil,
do setor privado e de todos os níveis do governo. O Fórum foi um
exemplo importante de como as organizações não governamentais e
governamentais podem trabalhar juntas para alcançar objetivos comuns
em benefício da população e do meio ambiente. Além disso, o Fórum
forneceu as diretrizes que nortearão o desenvolvimento das políticas
e das instituições necessárias para viabilizar a gestão participativa
dos recursos pesqueiros da região.
Acordos de Pesca
O principal instrumento utilizado pelas comunidades
para regular a pesca nos seus lagos é o acordo de pesca, que é um
documento elaborado numa reunião com representantes de todas as
comunidades de um determinado sistema de lagos e que define as regras
para a pesca nos lagos do sistema. Embora utilizado em toda a região,
até recentemente os acordos de pesca não tinham nenhum valor legal.
Alcilene Cardoso, coordenadora do Programa de Organização Pesqueira,
vem trabalhando para fortalecer esse elemento básico do manejo dos
lagos junto com os comunitários e com os órgãos de ordenamento pesqueiro.
Programa de Regularização Fundiária de Áreas de
Várzea
Um dos principais problemas para viabilizar o manejo
comunitário dos lagos é a confusa situação fundiária da várzea.
Por lei, a várzea pertence à União. A propriedade privada não é
reconhecida pelo Governo. Agora, a SPU (Secretaria do Patrimônio
da União), entidade do Governo responsável pela administração das
terras de várzea, iniciou um processo a fim de regularizar a situação
de propriedades de várzea através de documentos de concessão de
uso.
Proposta de regularização de terras de várzea
Dentro desse contexto, a proposta de regularização
fundiária do Projeto Várzea, junto com os comunitários, é baseada
no atual sistema fundiário de uso do solo e busca conciliar os interesses
de propriedade privada e comunitária, assim fortalecendo o modelo
de manejo comunitário. A proposta reconhece três categorias de propriedade
na várzea: as restingas, devem ser consideradas propriedades privadas;
os campos naturais, pastos comuns, onde o número de cabeças de gado
de cada proprietário dependeria do tamanho de sua propriedade (medida
em termos de metros de frente); e os lagos, que também devem ser
de uso comum, mas, neste caso, cada morador teria acesso igual independente
do tamanho de sua propriedade. Além disso, os moradores de cada
sistema de lago (fazendeiros e comunitários) devem ser membros de
uma associação, que teria responsabilidade pela definição das regras
para o uso dos recursos naturais do sistema, assim garantindo que
as atividades individuais não prejudiquem a integridade ecológica
do sistema como um todo.
Fale conosco
|