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:: Programa - Manejo de Várzea - Alternativas
Econômicas
Diversificar as estratégias de manejo dos moradores
da várzea

Comunitário avaliando os resultados
da Roça Experimental em Aracampina |
Sistemas Irrigados para a Produção de Hortaliças
Os principais entraves para reduzir a dependência
da pesca são a baixa rentabilidade e os altos riscos da agricultura
tradicional. Na várzea, o produtor pode perder o primeiro plantio
por falta de chuva e o segundo, no mesmo ano, devido à subida antecipada
do rio. Para resolver esses problemas e estabelecer a agricultura
como alternativa à pesca, foi iniciado, com grupos de duas comunidades,
um experimento de produção irrigada de hortaliças, incluindo tomate,
pimentão e repolho.
Com o apoio dos técnicos Márcio dos Santos e André
Sousa dois grupos aprenderam as técnicas de produção de mudas e
de irrigação, além dos tratos culturais para a produção de hortaliças
de alta qualidade. No primeiro ano, os participantes conseguiram
obter uma renda adequada para compensar o tempo que dedicaram à
iniciativa. Baseado nesses resultados, no segundo ano, o projeto
foi ampliado para incluir seis grupos de três comunidades.
Perspectiva do Manejo Sustentável do Búfalo na Várzea

Criação de búfalo nos campos
de várzea |
Uma das questões mais polêmicas é o impacto do búfalo
na vegetação e, conseqüentemente, no recurso pesqueiro de várzea.
De um lado o búfalo é altamente adaptado ao ambiente de várzea e
muito mais produtivo do que o gado branco. Do outro, no entanto,
o búfalo tem um grande impacto tanto ambiental como social, degradando
a vegetação, pisoteando o fundo dos lagos e invadindo as roças dos
agricultores.
O pesquisador Pervaze Sheikh se associou ao Projeto
Várzea para avaliar o manejo do búfalo na várzea e seus impactos
ecológicos. O trabalho de Pervaze mostra que a criação de búfalo
tem rompido o equilíbrio social entre comunidades e fazendeiros.
A falta da delimitação de áreas individuais para
a criação de gado incentiva a superlotação dos campos de várzea,
causando a degradação desse ambiente. Como na pesca, a regulamentação
da criação de búfalo através de acordos comunitários que busquem
limitar o número de cabeças, os locais em que podem ser criados
e os mecanismos para compensar os prejuízos causados por búfalos,
já começam, também, a ocorrer. Esses acordos poderão se tornar uma
solução, para que a criação de búfalo venha a ser mais compatível
com outras atividades, reduzindo os conflitos entre criadores e
agricultores.
Saúde, Nutrição e Melhoria na Alimentação
A várzea apresenta problemas específicos de saúde
e nutrição, que estão relacionados às características do ambiente
e aos padrões de consumo da população. A má qualidade da água e
a dieta simples e homogênea de peixe e farinha são fatores importantes
nos problemas de saúde da população. A melhoria da qualidade de
vida na várzea depende, em boa parte, da resolução desses problemas.
O antropólogo Rui Murrieta concluiu em 1997 um estudo
sobre a dieta e o estado nutricional da população de três comunidades
da Ilha de Ituqui. Seu estudo mostra que a dieta é adequada em termos
de consumo de proteínas e carboidratos. Entretanto, em virtude da
pouca diversidade de alimentos, a dieta se mostrou deficiente em
vitaminas e cálcio. Essa deficiência é especialmente problemática
para as crianças entre um e três anos.
Tomando por base os resultados dessa pesquisa, a
enfermeira Perpétuo do Socorro de Sousa, e o técnico agrícola André
Sousa desenvolveram um programa para melhorar a qualidade nutritiva
da alimentação dessas famílias. O trabalho consistia de duas partes:
a preparação de hortas comunitárias para produzir uma maior diversidade
de verduras e a elaboração de receitas incluindo essas verduras
para diversificar a dieta familiar.
Hortas comunitárias foram criadas por membros
do Clube de Mães que aprenderam as técnicas de produção de hortaliças.
Paralelamente à implantação das hortas, as mães participaram de
cursos de culinária nos quais aprenderam a incluir as novas verduras
em receitas de valor nutritivo. A experiência mostrou que, através
de cursos de receitas e hortas caseiras, as famílias estão melhorando
a qualidade alimentar.
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