:: Programa - Projeto Seca Floresta

Grande parte da floresta amazônica só existe devido a sua alta tolerância à seca. Mais da metade das florestas da região sofre estiagens anuais que duram de três a cinco meses, entre julho e novembro. Mesmo após várias semanas seguidas de estiagem, continuam verdes, úmidas e resistentes ao fogo. Isto acontece porque estas florestas apresentam raízes profundas o suficiente para, durante a seca, captar água do solo que se encontra estocada a mais de 10 metros de profundidade. Mas esta resistência à seca tem o seu limite. Se a estiagem for muito prolongada, como acontece durante o evento climático conhecido por El Niño  (http://www.noaa.gov), o solo profundo também ficará seco, impedindo que as raízes se abasteçam de água. Por conta das mudanças climáticas globais, do desmatamento descontrolado e das queimadas, é possível que no futuro os períodos de estiagem sejam mais freqüentes e mais intensos na Amazônia.

Sob esta condição climática, a floresta da região tal como a conhecemos hoje, estará sujeita a transformações que a tornarão mais seca, quente e susceptível ao fogo. Antecipar este futuro de seca e calor é, portanto, fundamental para avaliar a resistência da floresta Amazônia a este novo cenário climático e, conseqüentemente, planejar melhor a conservação e o uso de suas riquezas. Neste sentido, o Projeto "Seca-Floresta" tem como objetivo avaliar, através de uma abordagem experimental, a resposta da vegetação florestal a uma seca produzida artificialmente, através de painéis plásticos distribuídos sobre um hectare da Floresta Nacional do Tapajós, em Santarém no Estado do Pará.

 

Excluindo a chuva na Floresta Nacional do Tapajós

A Floresta Nacional do Tapajós (FLONA Tapajós), onde está montado o projeto de exclusão de chuva, recebe por ano entre 600 e 3000 mm de chuva (média anual de 2000 mm). Normalmente, a estação seca inicia-se em meados de junho e se estende até o início de dezembro. Durante este período a chuva é reduzida e não é incomum chover menos do que 100 mm por mês. O solo (latossolo) é ácido e argiloso e o lençol freático é profundo (> 100 m). Para avaliar os efeitos da seca prolongada sobre a floresta, foram estabelecidas duas parcelas de um hectare cada, sendo ambas similares quanto à estrutura da vegetação e a composição florística. Em uma das parcelas, chamada de "parcela tratamento", foi instalada a estrutura de exclusão de chuva. A outra parcela serviu de controle.Cinqüenta e quatro espécies de árvores são comuns às duas parcelas, cada uma representada por, pelo menos, dois exemplares por parcela. A floresta ao redor caracteriza-se por árvores altas, algumas atingindo 55 m de altura, e que formam uma copa contínua com altura variando entre 18 e 40 m. As parcelas estão localizadas em áreas onde a maior parte das árvores apresenta uma altura inferior a 30 m, o que facilitou o acesso à copa da floresta.
 

Nossas hipóteses são que a exclusão de chuva irá:

  1. Matar árvores de sub-bosque mais do que árvores do dossel e cipós;
  2. Provocar a queda de folhas e, portanto,  aumentar a inflamabilidade;
  3. Reduzir o crescimento do tronco das árvores, mas aumentar a taxa de respiração do solo e a queda de serrapilheira.
  4. Diminuir a densidade da fauna do solo, aumentando assim a acumulação de serrapilheira.

Infraestrutura

Para excluir a chuva, um total de 5660 painéis (3 m X 0.5 m), revestidos com plástico transparente, são dispostos sobre suportes de madeira instalados na parcela tratamento (Figura 3). Estes painéis ficam expostos somente durante a estação de chuva (janeiro-maio). A serrapilheira acumulada sobre os painéis é diariamente removida e devolvida ao solo. A temperatura do ar abaixo dos painéis não tem sido significativamente elevada (< 0.3 oC).

A água coletada pelos painéis é conduzida a uma calha que, por sua vez é direcionada para a trincheira que circunda a parcela e, então, segue para um canal de escoamento e é despejada a 220 m de distancia de onde foi coletada inicialmente. Os painéis e as calhas cobrem cerca de 75 % da parcela e excluem aproximadamente 50-80 % da água de cada evento de chuva.

Quatro torres por parcela (13-30 m de altura) dão acesso às copas das árvores, permitindo a realização de medidas de fotossíntese, do estresse hídrico das árvores, e da fenologia . Nas torres, ainda são coletados dados climatológicos (p.e. radiação solar, precipitação e temperatura). Algumas das torres estão interligadas por passarelas (8-12 m de altura) que permitem o acesso a copa das árvores de sub-bosque. As medidas realizadas em diferentes alturas permitem uma visão mais completa de como a floresta responde a exclusão de chuva.

Ainda, em cada parcela, cinco poços (12 metros de profundidade) foram escavados e, em cada um, realizou-se medidas da quantidade de água armazenada, registradas em sensores de TDR, e da biomassa de raízes, utilizando periscópios de solo.

 

 

 

  1. Clique aqui para obter mais informações sobre o Experimento “Seca Floresta”
  2. Veja aqui algumas imagens do Seca Floresta

 

Instituições Envolvidas:
Embrapa
IBAMA
The Woods Hole Research Center

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