:: Programa - Aspectos Econômicos do Fogo na Amazônia -
Risque 98 - Empobrecimento das Florestas

Os incêndios acidentais na Amazônia (que representaram em 1995 metade da área total queimada na região) podem ser tornar cada vez mais graves, por várias razões. Uma delas é o clima.

Durante as estações secas, que normalmente ocorrem em grandes áreas da Amazônia e mais especificamente durante períodos de El Niño, a floresta pode vir a perder água em quantidade suficiente para se tornar facilmente inflamável. Outro agravante é a contínua expansão da fronteira agrícola na região, aumentando a intensidade do uso da terra.

As florestas virgens da Amazônia funcionam como barreiras úmidas ao longo da paisagem, prevenindo a expansão do fogo iniciado, intencional ou acidentalmente, em pastagens e campos agrícolas. Se estas florestas perderem esta função protetora, é provável que grandes áreas da paisagem amazônica estarão sujeitas a queimadas periódicas. Isto, certamente, trará impactos negativos sobre a biodiversidade e resultará na redução da biomassa estocada na floresta e na quantidade de água liberada pela vegetação para a atmosfera (necessária para manter os ciclos da água e de chuvas).

Pesquisas recentes indicam que uma floresta queimada (ainda que levemente - 'sapecada'), tem uma probabilidade muito maior de pegar fogo novamente. A segunda queimada é sempre mais intensa e a mortalidade das árvores é muito maior. O fogo que queima pela segunda vez é alimentado pela material seco resultante da primeira queimada. Este fogo é aproximadamente duas vezes mais alto, duas vezes mais largo e dez vezes mais quente que o primeiro, sendo capaz de matar inclusive árvores adultas, com mais de 40 cm de diâmetro, que sobreviveram a queimada anterior.

Na primeira queimada, a morte de algumas árvores menores faz com que a copa da floresta fique mais aberta e, portanto, mais luz de sol chega ao chão, secando galhos e folhas (material combustível para a próxima queima). Em resumo, o maior impacto da primeira queimada na floresta é a perda da resistência a novas queimadas.

O fogo é um agente de transformação da paisagem amazônica de expressão muito mais significativa que apenas o desmatamento (aonde o fogo também está envolvido). Uma área de 10 a 20 % dos municípios analisados queimou em 95 (Paragominas e Santana do Araguaia - PA, Ariquemes e Ouro Preto do Oeste - RO; Alta Floresta - MT e Rio Branco - AC). Dessa área afetada pelo fogo, apenas 16 % foi queimada objetivando desmatamento (veja o gráfico). Cerca de 36 % foi fogo intencionalmente aplicado para manejo de áreas em produção agropecuária. O importante é que mais 36 % da área em produção agropecuária também queimou, acidentalmente, e outros 12 % de floresta teve o sub-bosque destruído pelo fogo, tornando esta florestas mais suscetíveis a queimadas futuras, que poderão vir a ser mais intensas e mais destrutivas.

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