Os incêndios acidentais na Amazônia (que representaram em 1995 metade da área total queimada na região) podem ser tornar cada vez mais graves, por várias razões. Uma delas é o clima.
Durante as estações secas, que normalmente ocorrem em grandes áreas da Amazônia e mais especificamente durante períodos de El Niño, a floresta pode vir a perder água em quantidade suficiente para se tornar facilmente inflamável. Outro agravante é a contínua expansão da fronteira agrícola na região, aumentando a intensidade do uso da terra. |
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As florestas virgens da Amazônia funcionam como barreiras úmidas ao longo da paisagem, prevenindo a expansão do fogo iniciado, intencional ou acidentalmente, em pastagens e campos agrícolas. Se estas florestas perderem esta função protetora, é provável que grandes áreas da paisagem amazônica estarão sujeitas a queimadas periódicas. Isto, certamente, trará impactos negativos sobre a biodiversidade e resultará na redução da biomassa estocada na floresta e na quantidade de água liberada pela vegetação para a atmosfera (necessária para manter os ciclos da água e de chuvas).
Pesquisas recentes indicam que uma floresta queimada (ainda que levemente - 'sapecada'), tem uma probabilidade muito maior de pegar fogo novamente. A segunda queimada é sempre mais intensa e a mortalidade das árvores é muito maior. O fogo que queima pela segunda vez é alimentado pela material seco resultante da primeira queimada. Este fogo é aproximadamente duas vezes mais alto, duas vezes mais largo e dez vezes mais quente que o primeiro, sendo capaz de matar inclusive árvores adultas, com mais de 40 cm de diâmetro, que sobreviveram a queimada anterior.
Na primeira queimada, a morte de algumas árvores menores faz com que a copa da floresta fique mais aberta e, portanto, mais luz de sol chega ao chão, secando galhos e folhas (material combustível para a próxima queima). Em resumo, o maior impacto da primeira queimada na floresta é a perda da resistência a novas queimadas.
O fogo é um agente de transformação da paisagem amazônica de expressão muito mais significativa que apenas o desmatamento (aonde o fogo também está envolvido). Uma área de 10 a 20 % dos municípios analisados queimou em 95 (Paragominas e Santana do Araguaia - PA, Ariquemes e Ouro Preto do Oeste - RO; Alta Floresta - MT e Rio Branco - AC). Dessa área afetada pelo fogo, apenas 16 % foi queimada objetivando desmatamento (veja o gráfico). Cerca de 36 % foi fogo intencionalmente aplicado para manejo de áreas em produção agropecuária. O importante é que mais 36 % da área em produção agropecuária também queimou, acidentalmente, e outros 12 % de floresta teve o sub-bosque destruído pelo fogo, tornando esta florestas mais suscetíveis a queimadas futuras, que poderão vir a ser mais intensas e mais destrutivas.
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