:: Programa - Agroindústria

MODELAGEM DA EXPANSÃO DA SOJA NA BACIA AMAZÔNICA

O objetivo do estudo é gerar um modelo para o potencial da soja na Bacia Amazônica.  Esse estudo está sendo desenvolvido com a colaboração da Universidade de Boston, como parte de uma dissertação de doutorado.

Contexto
A doença da vaca louca, o crescimento econômico da China e os altos preços fizeram com que a produção de soja aumentasse de 117 milhões de toneladas em 1992 para 190 milhões de toneladas em 2004.  Esse aumento da produção ocorreu particularmente nas regiões tropicais, incluindo a Bacia Amazônica.  No Brasil, a área da plantação de soja cresceu de 115.847 km2 para 215.972 km2 e a produção de 20 para 50 milhões de toneladas de 1990 a 2004.  Esse crescimento tornou o Brasil, o segundo maior produtor de soja do mundo, abastecendo 27% do consumo mundial, seguido dos Estados Unidos que abastecem 35% (Figura 1).
Atualmente, a produção de soja é um dos principais fatores que impulsionam a expansão da fronteira agrícola na Amazônia brasileira.  O crescimento da produção da soja na região de 3 para 16 milhões de toneladas ano-1entre 1990 e 2004 foi acompanhado pelo aumento da área de plantação de 16.000 km2 para 60.000 km2 e da produtividade da plantação que foi de 73 kg ha-1 ano-1 (Figura 2).  Da produção total de soja brasileira, aproximadamente 33% é oriunda da Amazônia.  A expansão da produção nessa região é estimulada pelo desenvolvimento tecnológico e por investimentos econômicos.  A cultura da soja, apropriada para climas quentes e úmidos, e a aplicação de fertilizantes e de calcário na região de cerrado (Centro-oeste do Brasil) aumentou a produção para aproximadamente 3.000 kg/ha.  Esse nível de produção é viável por conta dos investimentos feitos pelo governo brasileiro nos últimos três planos plurianuais (“Avança Brasil”, “Brasil em Ação” e Brasil um País de Todos”), que promoveu melhorias nas vias de transporte e investiu em infra-estrutura (portos, canais e hidroelétricas) na região Amazônica.  A redução nos custos de transporte promoveu a abertura da fronteira agrícola para a agro-indústria da soja e estimulou os investimentos privados.

Impactos da Soja
A produção da soja vai provocar grandes impactos econômicos, sociais e ambientais na Amazônia.  Os benefícios decorrentes do aumento da produção da soja são ganhos na exportação e geração de empregos locais.  Os custos sociais consistem na expulsão das comunidades locais por capitalistas interessados em adquirir terras e no aumento da concentração de renda.  Os custos ambientais consistem na perda de áreas florestais e de biodiversidade e no aumento da emissão de gases causadores do efeito estufa.  Alguns dos custos e dos benefícios decorrentes do aumento da produção da soja já são evidentes.  Um exemplo disso é o aumento das taxas de desflorestamento de 18.165 km2 (2001) para 26.000 km2 (2004).  Além disso, houve um aumento na ordem de $10 bilhões no volume exportado, tornando a soja o principal produto de exportação do Brasil.

A Pergunta
O futuro da expansão da produção de soja na Amazônia ainda é incerto.  A grande questão é quanto de área florestal ainda será convertido para a produção da soja?  A resposta depende da renda gerada pela produção da soja, que é determinada pelo preço da soja, rendimento e custos de produção.

Meta

Diante dessa questão, nós estamos desenvolvendo um modelo interdisciplinar que estimula o potencial da produção da soja na Bacia Amazônica, com base em determinantes climáticos, edáficos e econômicos da produção da soja.  Uma vez finalizado, o modelo irá auxiliar na análise das variações espaciais na viabilidade econômica da produção da soja na Amazônia brasileira e na análise da influência governamental na expansão da produção.

Fontes de Dados
Os dados econômicos foram obtidos no censo agrícola de 1995-1996, utilizando a área base do censo, que apresenta as informações físicas e econômicas dos insumos e da produção gerados pelos fazendeiros no Brasil.  Nós compilamos as informações de uma mostra composta por 88 áreas, onde a produção da soja é a atividade econômica mais importante (Figura 3).  Nós usamos informações edáficas da base de dados digital de solo do ISRIC e dados climáticos diários da NASA/NCEP/NCAR.  Além disso, nós estimamos o custo do frete da Amazônia para os principais portos e montamos um plano do custo de transporte.
Além disso, dois estudos de campo foram desenvolvidos no estado do Mato Grosso para esboçar um diagnóstico preliminar da expansão agrícola mecanizada no cerrado e nas áreas florestais de transição.  O Mato Grosso localiza-se no Centro-oeste do Brasil, a maior região produtora de soja do país.  Os dados coletados nessas pesquisas serão usados na validação do modelo.

O Modelo Interdisciplinar
A produção da soja, produção física por unidade de área, é modelada como uma função de: (1) Necessidades de fertilizantes, conforme as variáveis instrumentais de profundidade da raiz e de PH; (2) Fisiologia da soja, modelada pelos efeitos climáticos e atributos físicos no desenvolvimento da planta da soja e 3) Parâmetros Econômicos/ Espaciais que influenciam o rendimento da soja, como crédito, custos de transporte, latitude e longitude (Figura 4).

Resultados Preliminares
Nós estimamos que aproximadamente 20% da região Amazônica ~ 1.000.000 km2 (excluindo as áreas de proteção) têm potencial para o cultivo da soja com produtividade maior que 2.000 kg/ha.  O estado do Mato Grosso, maior produtor de soja do Brasil, apresenta um grande potencial de produção da soja com uma área estimada em ~ 550.000 km2.  As terras indígenas e as áreas de proteção estariam ameaçadas pelo agro-business e medidas urgentes devem ser tomadas, com o objetivo de identificar e de restringir a expansão da soja para essas áreas.

Publicações.
Os resultados preliminares foram publicados em jornais científicos, e manuscritos estão sendo elaborados.

Equipe Instituições Patrocinadores
Maria del Carmen Vera-Diaz 1,3
Robert K. Kaufmann 3
Daniel C. Nepstad 1,2
Peter Schlesinger 2

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