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O papel das áreas protegidas da Amazônia brasileira na mitigação das mudanças climáticas

“Avaliamos o papel das áreas protegidas da Amazônia, incluindo terras indígenas e unidades de conservação, na redução do desmatamento e previsão de fluxos de carbono para a atmosfera. Além disso, o estudo avaliou a possibilidade de vazamento (deslocamento do desmatamento para outras frentes) e os custos associados à criação dessas áreas, que representam uma importante parte da política de conservação e contenção do desmatamento na região.”

Britaldo Soares Filho

O QUE É

Estudo simula os efeitos das políticas públicas de controle e de promoção do desmatamento e suas interações com as mudanças climáticas. Apresenta análise feita a partir do modelo SIMAmazônia 2, incorporando previsões do desmatamento futuro e o papel das áreas protegidas na contenção da derrubada da floresta.

O QUE FOI FEITO
  • Mapeado o histórico de desmatamento nos últimos 10 anos das 595 áreas protegidas da Amazônia, incluindo terras indígenas, unidades de conservação e áreas militares, além da região de entorno.

  • Desenvolvido um modelo para prever desmatamento baseado em condições socioeconômicas, utilizado para separar a contribuição das novas áreas protegidas na redução do desmatamento a partir de 2004.

  • Este modelo foi também empregado na avaliação do papel da redução da atividade agrícola na redução do desmatamento no mesmo período.

  • Avaliação do possível vazamento, ou deslocamento do desmatamento para outras frentes, provocado pela criação de novas áreas de proteção.

  • A projeção da contribuição das áreas protegidas para o desmatamento futuro foi utilizada na avaliação do potencial de redução de emissão de carbono das áreas de proteção. O modelo levou em consideração dois cenários de crescimento da agroindústria e cinco cenários de criação de áreas protegidas, do cenário extremo sem nenhuma área criada até a rede total de áreas protegidas criadas em 2008.

  • Para calcular os custos de oportunidade dessa rede de áreas protegidas, foram utilizados mapas de rentabilidade da soja, pecuária e produção de madeira. Assim, as áreas protegidas localizadas em áreas de alta rentabilidade para alguns desses usos teriam um alto custo de oportunidade, portanto, custo mais alto de implementação.

 

 

 

 

 

 

 

 

AVALIAÇÃO

Conclusões do estudo:

  • A expansão das áreas protegidas na Amazônia foi responsável por 37% da redução total de desmatamento na região entre 2004 e 2006, sem provocar vazamento.

  • A categoria de área protegida mais efetiva na contenção do desmatamento é a de Terras Indígenas.

  • 44% da redução do desmatamento entre 2004 e 2006 foi causada por questões econômicas relacionadas à queda dos preços das principais commodities agropecuárias, mais precisamente relacionadas ao gado e à soja.

  • 18% da redução do desmatamento no mesmo período foi decorrente de outros fatores como maior fiscalização, operações da polícia federal e outras ações de governança não inclusas no modelo.

  • Se todas as áreas protegidas fossem implementadas, teriam o potencial de evitar aproximadamente de 5 - 11 Pg de emissão de carbono até 2050.

  • As áreas protegidas da Amazônia representam um custo de US$ 147 bilhões (Valor Presente Líquido) em termos de investimento necessário para sua consolidação.

  • A redução de emissões com as áreas protegidas da Amazônia seriam equivalentes à redução de 10% das emissões decorrentes do desmatamento no mundo.