Fastcoexist, Abril 2012

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Somos capazes de produzir quantidade suficiente de alimento sem cortar todas as árvores?

Para criar mais fazendas, nós geralmente necessitamos de cortar mais florestas. No Brasil, está se procurando um modo de manter a produção sem precisar destruir a floresta tropical.

Por Michael J. Coren

O Brasil conseguiu realizar uma grande jogada ambiental. O desmatamento na Amazônia diminuiu em 78% desde o seu auge atingido em 2004, ao mesmo tempo em que a produção agrícola continua a subir. Como um país que perdeu milhões de hectares de floresta a cada ano para criadores de gado e produtores de soja transforma a situação em menos de uma década?

Cumprimento de leis ambientais, políticas agrícolas inteligentes e boicotes liderados por ambientalistas merecem muito do crédito. No entanto, esses fatores provavelmente não serão suficientes, de acordo com uma nova análise. A pressão para desmatar as florestas do mundo está aumentando novamente, já que a demanda por commodities de alimentos e biocombustíveis está aumentando. Em última instância, dizem os pesquisadores, é necessário dissociar a expansão agrícola do desmatamento.

“A rápida expansão de produção agrícola em nações tropicais têm se tornado chave para evitar a escassez global crônica e destrutiva de alimentos”


Uma razão para fazê-lo é conhecida como a Mesa Redonda REDD. Marcado para ser lançada com um financiamento inicial da Noruega na Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável – que acontecerá no Rio de Janeiro, durante a Rio+20 em junho no Brasil -, ela oferece tanto a pergunta como a resposta. O programa irá investir em agronegócios ao redor do mundo para adotar mínimos de padrões ambientais para grandes commodities como cana de açúcar, soja e óleo de palma enquanto oferece grande impacto para diminuir emissões de carbono e conservar as florestas tropicais do mundo. Proprietários de terra que adotam esses padrões (lidando com os mais diversos tipos de assunto, de direitos dos trabalhadores a limitar o desmatamento) estarão elegíveis para aplicar para empréstimos de governo subsidiados – avaliados em torno de $ 1,7 bilhões durante a atual temporada de crescimento, para melhorias no solo, intensificação ou recuperação de terras degradadas.

Ao fazer projetos agrícolas “sustentáveis” mais atraentes e competitivos que as suas convencionais contrapartes do agronegócio, as iniciativas têm o propósito de salvar florestas enquanto alimentam o mundo, particularmente em nações com florestas tropicais.

“Da perspectiva da segurança alimentar global, a rápida expansão de produção agrícola em nações tropicais têm se tornado chave para evitar a escassez global crônica e destrutiva de alimentos,” escreve (em PDF) Dan Nepstad, ecologista americano do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM), grupo que coordena a Mesa-Redonda REDD. A promessa de uma “revolução tropical agrícola” significa prosperidade econômica para a América Latina, África e Caribe, e a emergência de políticas coerentes e práticas de proteger o meio-ambiente, os direitos dos trabalhadores e o suprimento de comida global. Se for mal gerenciado, irá causar insegurança alimentar, acelerar a conversão de florestas nativas em terras agrícolas degradadas e piorar as mudanças climáticas.

Se o projeto de fato será adotado dependerá das melhorias na produtividade, da aquisição de licenças para plantios certificados e pressão competitiva de padrões crescentes. As mesas redondas tem o objetivo de complementar programas ao pagar por benefícios de carbono vindos da conservação florestal, conhecidos como Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação (REDD). Apesar de ter feito pequenos progressos na última década, a REDD existe primariamente como um mecanismo de governo (e não de mercado) e não está alcançando agricultores nas fronteiras florestais.

Nem todos estão aceitando a nova abordagem. Jonathan Latham, diretor executivo do Projeto de Recursos Biocientíficos, analisa que o novo esforço é meramente uma tentativa de “tornar verde a agricultura de commodities industriais.” Latham argumenta que os padrões do programa e vigilância serão insuficientes, e os beneficiados em última instância são os agronegócios.

No entanto, existe pouca dúvida de que o mundo precisa encontrar mais fontes de alimento para alimentar uma população que crescerá em 9 bilhões até 2050. Isso significa que será preciso aproximadamente dobrar a produção de alimentos até o meio do século, estima a Organização Agrícola e de Alimentos das Nações Unidas.

Se nós não iremos desmatar nossas últimas florestas, então nós necessitaremos encontrar outra maneira de crescer.

Ler matéria original em fastcoexist.com