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IPAM AmazôniaTerminam encontros para a elaboração de plano da agricultura familiar no MT - IPAM Amazônia

IPAM Amazônia | Desenvolvimento sustentável da Amazônia pelo crescimento econômico, justiça social e proteção da integridade de seus ecossistemas.

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Terminam encontros para a elaboração de plano da agricultura familiar no MT

27.03.2017Notícias

O município de Rondonópolis sediou o sétimo encontro para a elaboração do Plano Estadual da Agricultura Familiar de Mato Grosso (PEAF-MT) na última sexta-feira (24). Cerca de 130 pessoas compareceram no evento, entre representantes de assentamentos, acampamentos, comunidades indígenas, governo e sociedade civil.

O PEAF-MT, que é o primeiro plano do estado para a agricultura familiar, é coordenado pelo Conselho Estadual de Desenvolvimento Rural Sustentável (CEDRS) de Mato Grosso, com apoio da Secretaria Estadual de Agricultura Familiar e Assuntos Fundiários (Seaf), do Instituto Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM), do Instituto Centro de Vida (ICV) e da Empresa Mato-grossense de Pesquisa, Assistência e Extensão Rural (Empaer).

Assim como nos encontros anteriores, os participantes debateram sobre o futuro da agricultura familiar na região pautados pelos eixos temáticos: regularização fundiária e ambiental; produção sustentável; agregação de valor e comercialização; assistência técnica e extensão rural; governança, gestão e territorialidade.

No âmbito da comercialização foi discutido como cada ator envolvido pode contribuir para viabilizar a produção. Para o presidente da Cooperativa de Seringueiros de Ouro Branco na cidade de Itiquira, Rubens Soares Ribeiro, esse é um debate imprescindível para o agricultor. “O potencial de produzir existe, mas encontramos uma dificuldade de colocar o produto para vender, desde a inspeção sanitária que não é adequada para o pequeno produtor até a construção da logística.”

Segundo o coordenador de incentivo às atividades produtivas da Seaf, Leonardo Vivaldini dos Santos, para alavancar a comercialização da agricultura familiar, os produtores precisam se organizar coletivamente, enquanto o governo auxilia ofertando um serviço de forma transparente e segura. “São muitos os atores envolvidos, mas com o alinhamento das organizações (associações e cooperativas) o governo pode proporcionar de forma eficiente o melhor desenvolvimento das cadeias de produção.”

Grupo discute as propostas para comercialização e agregação de valor

Grupo discute as propostas para comercialização e agregação de valor

As dificuldades da permanência do jovem no campo também foram levantadas no encontro.

O jovem de 26 anos, Éderson da Silva, vive desde os sete anos em acampamento e relata que sofreu por não ter a estrutura necessária e uma educação adequada.  “O jovem é obrigado a sair do campo, porque não tem escolas suficientes e o mercado da cidade é melhor. É preciso garantir a vida do jovem no campo, investindo em educação rural e criando incentivos econômicos que motivem o jovem a ser um agricultor. O Estado tem ferramentas para levar conhecimento, mas nem sempre isso chega para o pequeno. Sinto que basta um pouco mais de vontade por parte do governo, mas nesse evento percebi que isso existe e para nós é muito bom.”

O investimento em pesquisas voltadas para agricultura familiar também foi discutido. Para o técnico em assuntos educacionais da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), Rafael Gonçalves, a universidade tem função social e por meio do ensino, pesquisa e extensão pode levar conhecimento para quem está na ponta. “Podemos e devemos auxiliar na gestão e produção de projetos orgânicos. Foi essencial ouvir de perto o que o agricultor precisa.”

Para Kassio Gomes Elias, que mora acampado há quatro anos, existe a necessidade de gerar conhecimento específico para o pequeno produtor. “Cursei Biologia na UFMT e Química no IFMT, acredito que ao investir no pequeno produtor você ajuda no combate à inflação dos alimentos para a classe mais baixa. Retorno para o meu acampamento feliz por ter a oportunidade de ajudar a construir essa política e com a esperança renovada de que juntos podemos evoluir.”

A preocupação com o meio ambiente também foi destaque do evento. O presidente da Associação Dando as Mãos, Antônio Marques, conta que na sua propriedade de 3,5 hectares produz de tudo um pouco de forma sustentável. “Planto abóbora, pepino, tomate, cará, jiló, mandioca, banana e tudo atento com o que é melhor para a saúde. Minha maior preocupação é com os agrotóxicos, já que hoje em dia muitos colocam veneno e quando venta esse veneno voa para outras áreas invadindo a minha propriedade.”

Para Baltazar Ferreira de Melo, agente da Comissão Pastoral da Terra de Rondonópolis, é preciso incentivar práticas produtivas que não impactem negativamente na natureza. “A nossa associação apoia a produção agroecológica em nove assentamentos. Nós somos contra o desmatamento do cerrado, utilizamos áreas já abertas para a produção e fazemos o processo de recuperação de nascentes. Para o controle de pragas utilizamos só produtos naturais. São muitas as demandas quando se fala em agricultura familiar, mas é gratificante ver essa iniciativa. A responsabilidade e consciência de todos é muito importante.”

No evento, o Governo do Estado, por meio da Seaf, entregou seis resfriadores de leite beneficiando os assentamentos: Esperança, Olga Benário, Carimã, Primavera, Petracenter e Bananal.

Balanço dos encontros do PEAF-MT

Foram realizados sete encontros no estado de Mato Grosso por meio de um processo de reflexão e construção participativa. Ao todo mais de 700 pessoas, de 91 municípios do estado, contribuíram para os debates sobre o futuro da agricultura familiar.

O PEAF-MT tem como objetivo estabelecer prioridades e contribuir com a criação de estratégias de atuação do governo, da sociedade civil e do setor privado para o desenvolvimento sustentável da agricultura familiar.

As propostas com maior adesão construídas ao longo dos encontros serão consolidadas pelo CEDRS e integrarão o documento que está previsto para ser lançado em agosto. Além do documento, será desenvolvida uma plataforma digital com informações da agricultura familiar no estado.

Para a pesquisadora do IPAM e uma das responsáveis pela coordenação do plano, Sylvia Mitraud, agora é a etapa para dar forma à iniciativa e auxiliar o governo fornecendo informações sobre quais são as atividades mais adequadas. “Não podemos parar. Temos que continuar atuando juntos e priorizando o que é melhor para a agricultura familiar.”

O PEAF-MT tem uma proposta de longo prazo até 2030 e será revisto anualmente pelo CEDRS. A meta é atingir um universo de 210.301 pessoas que integram a agricultura familiar no estado.

“O plano ultrapassa a gestão de um governo, por isso foi tão importante a participação de cada um em cada encontro. Agora iremos considerar as metas elencadas no plano para realizar os investimentos de forma orientada”, afirma o secretário da Seaf, Suelme Fernandes.