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IPAM Amazônia | Artigo: capital natural, florestas, produção de alimentos, fibras e energia

IPAM Amazônia | Desenvolvimento sustentável da Amazônia pelo crescimento econômico, justiça social e proteção da integridade de seus ecossistemas.

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Artigo: capital natural, florestas, produção de alimentos, fibras e energia

15.04.2016Artigos
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Por Roberto Waack*

O reconhecimento de que a economia mundial trilhará caminhos onde carbono faz parte da equação de valor levou o agronegócio brasileiro e o setor florestal a se aproximarem na inédita Coalizão Brasil Clima, Florestas e Agricultura. Instalada em dezembro de 2014, é uma iniciativa formada por mais de 120 associações setoriais, empresas, organizações da sociedade civil e indivíduos, interessados em contribuir para o avanço e a sinergia das agendas de proteção, conservação e uso sustentável das florestas, agricultura sustentável, além de mitigação e adaptação às mudanças climáticas, no Brasil e no mundo.

O que explica esse movimento e o interesse empresarial por florestas? Provavelmente, um conjunto de elementos. O Brasil é um país florestal. Mais de 50% de seu território é coberto por florestas nativas, na Amazônia, Cerrado e Mata Atlântica. É um dos países mais biodiversos e um dos maiores detentores do capital hídrico do planeta. Possui ainda amplo território, solos férteis, boa distribuição de chuvas e luz solar. Ou seja, conta com grande capital natural. Em adição a esta condição estrutural, desenvolveu tecnologias de silvicultura que o levaram a se situar de forma estratégica no plantio de florestas plantadas para produção de fibras e, mais recentemente, de bioenergia. Portanto, conta com bom capital intelectual no setor florestal.

Por causa de um complexo histórico de ocupação territorial e conversão de florestas nativas em áreas voltadas para a produção de commodities, o país avançou muito em medidas de comando e controle do desmatamento, com tecnologias de ponta no monitoramento aeroespacial de seu território. Temos, então, dois fortes componentes: o capital natural em si e o capital intelectual para lidar com ele.

Há, ainda, outra característica relevante no campo ambiental brasileiro: a forte presença da sociedade civil. Com marcante ação, conquistou relevantes vitórias na área da conservação e reconhecimento de comunidades originais e de antigas posses. Trata-se indubitavelmente de um forte capital social. Este, longe de se acomodar com vitórias, segue aguerrido e inconformado com a inaceitável realidade de como lidamos com nosso capital natural.

Por outro lado, o país trilhou eficiente caminho no desenvolvimento de um dos mais pujantes agronegócios do mundo, liderando rankings da produção de grãos, bioenergia e proteína animal. A ocupação do solo e sua utilização econômica passaram a ser questão amplamente discutida. A sociedade civil teve, nas últimas décadas, forte confronto com o agronegócio. Gerou-se o Código Florestal, provavelmente, uma das mais avançadas regulamentações relacionadas ao ordenamento do uso de recursos naturais do planeta.

Em tal legislação, entre outras coisas, define-se o papel de áreas de conservação permanente, de florestas produtivas e áreas de uso alternativo. Elementos como georreferenciamento permitem que uma nova forma de gestão do território seja implementada. O capital social, dessa forma, se fortalece com o capital institucional. Tudo pacificado? Não, de certa forma, como ocorre com frequência nessas situações, todos cederam. Mas se criou a forte noção de interdependência e a percepção de que o diálogo aberto poderá trazer novos elementos a essa arena.

A COP de Paris sinalizou claramente que um novo ciclo tecnológico se consolida. A economia de baixo carbono tem entre seus pilares o uso da terra e a importância das florestas. Uma rica discussão diz respeito às macro alternativas para se lidar com a redução de emissões. Há uma linha que defende que as soluções virão do desenvolvimento de tecnologias voltadas para baixa emissão de carbono e de seu sequestro na atmosfera. As chamadas, caricaturalmente, árvores artificiais. São apostas dos países desenvolvidos. Do outro lado, aparece a defesa contundente das florestas como meios mais eficientes para retirar e manter estoques de carbono.

A comunidade empresarial brasileira, fortemente presente em Paris, identifica claramente que o país tem vantagens comparativas relevantes no uso integrado do solo, na produção de alimentos, de fibras e energia com baixo carbono. A mobilização da Coalizao Brasil Clima Florestas e Agricultura, com mais de 50 representantes em Paris, atesta que os principais atores florestais e do agronegócio, incluindo pecuária, já estão mobilizados para “surfar” a nova onda tecnológica. No caso brasileiro ela está fundamentada na valorização ampla do nosso capital natural e conta com uma boa base de capital intelectual tanto na silvicultura quanto na produção de alimentos.

Tudo pronto? De forma alguma. Entendemos que o sinal para a economia de baixo carbono está dado, mas citando Goethe, “só sabemos com exatidão quando sabemos pouco; à medida que vamos adquirindo conhecimentos, instala-se a dúvida”. O simples fato de apostarmos no caminho e reconhecermos que há muito a aprender, indica que saberemos encontrar as respostas. Especialmente, se soubermos utilizar com sabedoria o capital social da interdependência (a Coalizão é um exemplo), voltado para a valorização do nosso capital natural, equilibradamente aplicado para a conservação, produção florestal, de alimentos, bioenergia e novos materiais.

* Roberto Waack é fundador da Amata S.A. e presidente do seu Conselho Administrativo. É também conselheiro do IPAM.

Artigo originalmente publicado no blog do Banco Mundial.